sábado, 31 de julho de 2010

Dica de filme: Chocolate

Por César Nogueira, produtor do SET UFAM.


Em filmes de artes marciais, dou um desconto para a história. Me interesso nesse gênero pela porrada. Quanto mais mentirosa, melhor. Em Chocolate (2008), o diretor tailandês Prachya Pinkaew se aproveita da visualidade e da violência do Muay Thai, como já fez no cultuado Ong-Bak e em O Protetor, filmes anteriores seus. As diferenças são que Tony Jaa dá lugar à jovem Yanin Mitananda no papel de protagonista e que Chocolate tem algo exótico para filmes do gênero: uma premissa interessante.



O filme mostra como a autista Zen (Mitananda) financiou o tratamento contra câncer da mãe, Zin. Para conseguir o dinheiro, Zen contou com a ajuda do irmão de criação, o gordinho Moom. Ele era o cérebro na hora de cobrar os comerciantes devedores da mãe, enquanto Zen era a arma. Muitos deviam a Zin porque ela fazia parte da máfia e era companheira de Número 09, o chefão. Depois de uma disputa por território, ela conhece o yakuza Masashi, com quem teve um romance e a filha. Para criar com segurança Zen, que teve o autismo detectado ainda bebê, Zin, sadia, pede para Masahi voltar para o Japão e vai morar longe de Número 09, que vai procurar se vingar do chifre e, no final do filme, recuperar o dinheiro perdido.



A casa onde morava Zin, Zen e depois Moom, achado na rua enquanto era espancado, ficava ao lado de uma academia de Muay Thai. A garota observava os movimentos dos lutadores e era obcecada por Ong-bak, jogos de luta e filmes do Bruce Lee. Esses interesses foram o começo das suas habilidades em lutas. Ressalto isso porque você também pôde ter conhecido esse filme graças a um amigo que o vendeu como a história da garota que vira mestra em artes marciais só de ver o Tony Jaa lutar. Não é beeeeem assim, não. Isso porque fica claro que Zen treinava os golpes de Muay Thai, tanto que a mãe acolchoou uma pilastra da casa por causa dela. Além disso, os reflexos da garota foram treinados desde a infância, pois Moom fez dela uma artista de rua, que desviava ou aparava objetos jogados em sua direção. Ainda falando do amigo empolgado, ele pôde ter esquecido de lhe dizer do background narrativo dos pais, que é mostrado nos minutos iniciais do filme. Na sua sede de pancadaria e numa primeira assistida, talvez você também não tenha prestado atenção na beleza desses minutos iniciais, onde toda a relação de Zin e Masashi é explicada com imagens e não diálogos, ou no narrador filosofando sobre o interesse do yakuza pela beleza das imperfeições, motivo da sua atração por Zin.



Chocolate tem esse nome por causa do gosto de Zen por M&M`s. As balinhas funcionam como uma metáfora para o autismo da protagonista, que as organiza em fileiras de modo obsessivo, e também para a inocência dela, apesar de sua capacidade de fazer estragos. E que estragos. Yanin Mitananda, além de convencer como deficiente, fez ela mesma as cenas de luta, onde dá porrada em dezenas de inimigos, muitos deles de uma vez só, como na cena em que os joga com um pisão do alto de um prédio. O filme tenta criar um adversário à altura de Zen, um rapaz também autista, mas antes da luta dos dois vimos tantas lutas bem melhores que esse confronto de forças iguais fica menor. Dentre os cenários estão uma feira de carnes, uma fábrica de gelo e um dojô. As cores usadas realçam a atmosfera do lugar (no exemplo, vermelho para a feira, branco-gelo para a fábrica e amarelo claro para o dojô), e a coreografia se aproveita muito bem do ambiente: na feira, as cenas em que os dublês batem a coluna, se esbarram em quinas ou são perfurados vão lhe fazer exclamar de espanto e de dor mais do que quaisquer outras.



Assim como em Ong-Bak e em O Protetor, Pinkaew usa um gordinho para dar alívio cômico à história. Mas, ao contrário de seus filmes anteriores, ele usa pouco a câmera lenta e a repetição da mesma cena em vários ângulos diferentes, em todos os quais você se pergunta como Tony Jaa conseguiu fazer aquilo. Em Chocolate, Pinkaew também foi mais minimalista na fotografia, pois não filmou nenhum plano-sequência com quatro minutos de porrada, como em O Protetor. Em compensação, a trilha sonora do filme, um rock alternativo, se encaixa na proposta de inocência e agressividade da protagonista.



Cena de Ong-Bak com câmera lenta, múltiplos ângulos e gordinho fazendo graça - às vezes tudo ao mesmo tempo.


Plano-sequência de O Protetor. O título do vídeo não é exagero.


O descrédito de muitas pessoas com filmes de artes marciais é totalmente compreensível. Chocolate tenta agradar a esse público balanceando história e ação, apesar da lacuna no final e do humor involuntário provocado pelo inglês dos mafiosos. Mas essas falhas nada diminuem a inventividade da sua premissa, a beleza das motivações que levaram a ela e, claro, a coreografia das lutas, que são maravilhosamente exageradas.


Trailer de Chocolate.

NOTA: 8,5

sexta-feira, 30 de julho de 2010

SET UFAM DE BOLSO - EDIÇÃO XXIII

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SET UFAM DE BOLSO de cara nova!

Estreia das apresentadoras Emanuelle Canavarro e Karla Priscila.

Os destaques dessa edição são:

- "Salt" X "A Origem" as bilheterias norte-americanas;
- novidades sobre "Piratas do Caribe 4";
- filmes nacionais em destaque: "400 Contra 1" e "O Bem Amado".

Não perca e divirta-se!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estreias da Semana nos Cinemas de Manaus - 30 de Julho

Filme: Salt
Direção: Phillip Noyce
Elenco: Angelina Jolie, Chiwetel Ejiofor, Liev Schreiber
Sinopse: Antes de se tornar agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) prestou juramento de servir e honrar o seu país. Ela colocará seu juramento em prática, quando um desertor russo a acusa de ser espiã russa. Salt foge, usando todas as suas habilidades e anos de experiência como agente infiltrada para conseguir escapar dos seus inimigos, proteger o seu marido e fugir dos seus colegas da CIA.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte e Severiano Ribeiro
Filme: Kick Ass - Quebrando Tudo
Direção: Matthew Vaughn
Elenco: Aaron Johnson, Nicolas Cage, Clark Duke
Sinopse: Dave (Aaron Johnson) é um jovem do estilo loser que decide se reinventar, costurar uma fantasia e se tornar um super-herói no mundo real. Kick-Ass, codinome usado pelo inocente garoto, parece fadado ao fracasso por não ter o tipo físico dos heróis e nem as habilidades especiais até perseguir bandidos com suas armas de verdade. No entanto, ele não é o único super-herói por a: a destemida e altamente treinada dupla de pai e filha, Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloe Moretz). Aos poucos, a dupla abala o império de crimes do mafioso local Frank D’Amico (Mark Strong), que vai levar Kick-Ass a provar se está realmente pronto para ser um super-herói.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte
Filme: Mary e Max - Uma Amizade Diferente
Direção: Adam Elliot
Elenco: Vozes na versão original de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana
Sinopse: Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle (voz de Toni Collette), uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz (voz de Philip Seymour Hoffman), um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e dois continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. Mary e Max é viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.
ONDE: Playarte

Por quê Woody Allen vale a pena?


Por Renildo Rodrigues, diretor-auxiliar/produtor do Set Ufam


Falar de um artista que você admira é bem mais difícil do que parece. Como se manter objetivo, e não descambar para a exaltação? Como permanecer justo na avaliação e não cometer exageros? Digo tudo isto pra confessar que, no final, não consegui me manter fiel a nenhum destes preceitos. Ainda assim, espero convencer vocês, ao menos um pouco, de que Woody Allen vale a pena.

Woody Allen faz um tipo de cinema que está quase em extinção. Tomando como modelos o austríaco (naturalizado americano) Billy Wilder, diretor de algumas das melhores comédias da história ("Quanto Mais Quente Melhor", "Se Meu Apartamento Falasse" e "O Pecado Mora ao Lado", pra ficar apenas em três) e um mestre dos diálogos, mais o sueco Ingmar Bergman, autor de dramas densos e um estudioso das relações humanas ("Gritos e Sussurros", "Fanny & Alexander"), Allen encontrou uma combinação de comédia e drama que transformou o gênero da comédia romântica, com o lançamento de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", seu sexto filme, em 1977. De lá pra cá, Allen construiu um mundo próprio, centrado na sua amada cidade de Nova York, definido por relacionamentos amorosos, pela herança da arte e da psicanálise e pelo jazz. E que, independente de fatores culturais, pode dizer algo a todos nós.


Roteirista de mão cheia, recordista em indicações ao Oscar na categoria (14 vezes), Allen retrata ao mesmo tempo em que sublima o mundo real, com seus indivíduos em conflito com o desejo, buscando uma direção na vida, vivendo dramas familiares, crises de consciência, reflexões morais. Os filmes de Woody Allen são para adultos, um público cada vez mais esquecido no cinema atual. Em seus melhores trabalhos (Além de "Noivo...", poderia citar ao menos outros cinco: "Manhattan", "Memórias", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Hannah e Suas Irmãs" e "Vicky Cristina Barcelona"), esses temas são investidos de elementos cinematográficos do mais alto nível, com narrativas sofisticadas, grandes atuações, montagem criativa e não-linear, fotografia e direção de arte impecáveis.


E não, NÃO é verdade que Woody Allen só faz se repetir e que não vemos um grande filme dele desde os anos 90. Em primeiro lugar, como todos os autores dignos do termo, Allen tem elementos similares em todas as suas histórias. Se isso pode se traduzir em preguiça (o que, às vezes, efetivamente acontece – "Igual a Tudo na Vida", "Trapaceiros", "Scoop: O Grande Furo"), na maior parte dos casos o que se vê é a depuração e, ao mesmo tempo, o aprofundamento deles. Segundo: com maior ou menor sucesso, os filmes de Allen, em toda a sua carreira, mantêm uma notável consistência criativa, e nesta década tivemos bons exemplos disso: "O Escorpião de Jade", "Melinda e Melinda", "Match Point: Ponto Final" e o já citado "Vicky Cristina Barcelona".

É isso. Se você chegou até aqui, espero que resolva dar uma chance ao diretor, que, mesmo aos 74 anos, ainda é um dos artistas mais relevantes de nossa época, e cujos filmes merecem ser aguardados. Palavra de fã.



Em tempo: ainda dá pra conferir "Tudo Pode Dar Certo", o último filme do diretor, em cartaz em Manaus.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Shrek Para Sempre - Críticas

Por Caio Pimenta
Diretor Geral do SET UFAM

Saber a hora de parar é um dom.
Tentar esticar o fim com medo de nunca mais ter aquilo que se ama é uma situação que leva a consequências ruins, como a ridicularização e a frustação de que não se é mais capaz de realizar as proezas de outrora.

Nos cinemas, essa história também acontece.
Porém, o sentimento que move essa insistência em continuar algo que deveria ter acabado a muito tempo é a ganância pelo dinheiro.
Matrix, Jogos Mortais, Star Wars, Piratas do Caribe e tantas outras produções tiveram a aura dos excelentes primeiros manchadas por sequências constrangedoras.

A saga de Shrek vai pelo mesmo caminho.
Após dois ótimos filmes iniciais, a história do ogro verde teve outros dois longas apáticos e sem-graças.
O quarto filme da série até que parte de uma boa premissa, apesar de batida: Shrek está entediado com a vida de casado que leva. A rotina de cuidar dos bebês, levar o lixo para fora da casa, dormir bonitinho ao lado da espoa Fiona e todas as normalidades tal familiares a nós humanos. Porém, nada é mais frustante para Shrek do que não conseguir mais ser temido por todas as outras pessoas. Eis que surge Rumplestiltskin, um mago que dá a chance do ogro de viver um dia completamente diferente, onde o Gato de Botas está gordo e preguiçoso, o Burro não se lembra de seu melhor amigo e Fiona é perseguida pelos homens da cidade. Tal realidade pode permanecer para sempre por causa de uma trapaça do mago. A solução será um beijo de amor entre Shrek e Fiona.
A ironia e as boas sacadas dos filmes anteriores, simplesmente somem em Shrek Para Sempre. Uma das melhores coisas da saga do ogro verde era a mescla entre as tiradas de sarro da cultura pop em geral com o bom desenvolvimento da história. Dessa vez, as piadas surgem deslocadas e sem o impacto necessário.Os personagens continuam carismáticos, mas é inevitável que já não tenham mais a mesma graça de antigamente.
Shrek continua sendo um mau-humorado legal, porém a falta de criatividade do roteiro, que o coloca em situações parecidas com as do terceira filme cria uma sensação de dejá-vu. O Gato de Botas, apesar de gordinho e preguiçoso, ainda continua fofo. Fiona, por sua vez, é uma chata e que só faz aquela cara de coitada.
Porém, não há personagem mais interessante, divertido e criativo que o Burro, interpretado magistralmente por Eddie Murphy. Cada aparição do mais irritante e adorável animal dos cinemas faz o filme crescer demais.Infelizmente,Shrek Para Sempre encerra a franquia por baixo.
Quem sabe os executivos de Hollywood não aprendam dessa vez a saber parar a cobiça deles.

Não custa sonhar.

NOTA:6,5

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Estreias da Semana nos Cinemas de Manaus - 23 de Julho

Filme: O Bem Amado

Direção: Guel Arraes

Elenco: Marco Nanini, José Wilker, Caio Blat, Maria Flor

Sinopse: Baseado na obra de Dias Gomes, O Bem Amado conta a história de Odorico Paraguaçu, o prefeito que tem como principal objetivo conseguir um defunto para inaugurar a sua grande obra, o cemitério da cidade de Sucupira. O dia-a-dia entre o apoio das irmãs Cajazeiras e a oposição ferrenha do jornaleco da cidade, apimentada pela inclusão de personagens inesquecíveis.

ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro

Filme: Tudo Pode dar Certo

Direção: Woody Allen

Elenco: Evan Rachel Wood, Larry David, Patricia Clarkson

Sinopse: Woody Allen retorna à Nova York com uma comédia nada convencional sobre um misantropo extravagante e uma jovem impressionante e ingênua vinda do sul. Quando seus irritados pais aparecem para buscá-la, eles são surpreendidos por complicações amorosas malucas. Todos percebem que para encontrar o amor basta uma combinação de sorte, acaso e apreciar o valor do que quer que funcione para você.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte

Filme: Predadores

Direção: Nimród Antal

Elenco: Laurence Fishburne, Adrien Brody, Alice Braga

Sinopse: Neste novo filme somos transportados para a terra natal do traiçoeiro Predador, onde um grupo heterogêneo de criminosos e soldados formam uma silenciosa e Incômoda trégua para sobreviver a uma ameaça misteriosa e diferente de qualquer outra já vista.

ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro


terça-feira, 20 de julho de 2010

Crítica - Eclipse

Por Caio Pimenta
Diretor-Geral do SET UFAM

Cada geração tem seus ídolos e ícones que influenciam as pessoas por causa de suas atitudes, pensamentos, maneiras de enxergar o mundo e por aí vai.

Atualmente, nenhuma outra cinematográfica gera tanta histeria quanto a saga Crepúsculo.

A pergunta que me faço quando vejo tanto fanatismo é: por que diabos toda essa adoração a algo tão medíocre?

O novo filme da série, Eclipse, conta a história (?) da humana Bella Swan (Kristen Stewart) dividida entre o amor do vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) e do lobo Jacob (Taylor Lautner). Paralelo a isso, um exército de vampiros liderados por Victoria está atrás da nossa heroína querendo, a qualquer custo, matá-la.

Julgar a forma de amar é complicado, pois se há um sentimento complexo, louco, intenso ele é o amor. Porém, o relacionamento que move toda a série Crepúsculo é de uma bizarrice só, “forçando a barra” várias vezes para que aquilo que assistimos seja algo emocionante e bonito, o que torna tudo mais cômico do que dramático.

Desde o primeiro filme, Crepúsculo, Bella e Edward vivem um romance em que todas as conversas do casal contêm palavras ou expressões como “morte”, “assassinato”, “perigo”, “estão te perseguindo”, “me mata”, “quero morrer”, “quero ser vampira, me morde”, “nosso amor é impossível” e uma blá-blá-blá de caras de sofrimento e dor.Daí faço duas perguntas: 1) será que esse romance é saudável para os eles? 2) Onde estão os bons momentos, com os sorrisos, as besteiras, os apelidos idiotas que o amor e a paixão trazem e enchem as paredes de fotos?

Outro ponto irritante é a apatia de Edward ao ver o seu maior rival sair com a namorada dele, sendo que os dois ficam agarradinhos a todo momento, Jacob exibe a barriga sarada a cada cinco minutos e Bella fica “babando” explicitamente.Se não bastasse isso, o nosso herói chega ao cúmulo de ver o chifre que leva e não tomar uma atitude.A justificativa para toda essa passividade é por ele ser de outra época, com uma visão de mundo e do próprio amor diferente da nossa.

Ok! Vou fingir que caí nessa!

Agora, não há situação mais complicada e personagem mais mal construída que Bella Swan.

Adolescente de 18 anos de idade, a garota sente-se deslocada no mundo em que vive e vê nos vampiros e, principalmente, no relacionamento com Edward uma saída para a existência vazia que leva. O amor por ele é tanto que ela deseja tornar-se vampira e ser imortal.Quando vejo Bella mostrar todo seu empenho nesse relacionamento e na obsessão em virar uma sanguessuga, não consigo deixar de enxergar uma pessoa perdida, sem orientação, que não consegue ver um propósito no mundo. Parece que ela nunca sequer cogitou ter objetivo de crescer na vida, ter uma profissão, sair da cidadezinha que ela vive, conhecer o mundo e, conseqüentemente, outras pessoas. Tal situação é vivida por inúmeros adolescentes mundo afora na difícil transição para a vida adulta. Acredito que seja por causa dessa falta de perspectiva que a personagem de Kristen deseje tanto ser uma vampira, já que o mundo dos Cullen e dos lobos parece ser o máximo para ela.

Infelizmente, em nenhum momento o roteiro da saga chega a perceber tal situação, vendo apenas no sofrimento de um amor impossível e na indecisão entre Edward e Jacob o conflito da garota.

Lamentável.

Sutileza e inteligência também é um ponto fraco na transposição da saga para os cinemas.

Considerando o público um bando de tontos, incapazes de perceber significados que não estejam claros, os roteiristas e diretores dos filmes da série apostam em closes ou enquadramentos óbvios que realçam o que está explícito.Por exemplo: todos que assistem ao filme sabem que Jacob é um cara mais estilo “machão” que Edward. Porém, para ficar mais claro ele está sempre sem camisa, mostrando o abdômen definido.

Quando está de blusa, ela tem que estar apertada e bem justinha, para mostrar os “muques”.

E claro, ele anda de moto!

Já Edward é um fofinho, né?

Então, toda vez que ele aparecer, ele precisa fazer cara de sofrido, olhos de cachorrinho abandonado, fazer juras de amor belíssimas. Quando ele conversa com Bella, eles se amam, certo?

Ah, então coloca os dois em campo florido e mostra como tudo é lindo!

Eclipse demora uma eternidade para engatar uma segunda marcha e fazer o filme ganhar alguma emoção. Mais precisamente, uma hora e quarenta minutos de pura enrolação!

Quando chega na hora em que algo acontece, o longa mostra a fraqueza da série nas cenas de ação que continuam sem um pingo de emoção. Isso para não falar dos vilões que continuam tão temíveis quanto o Tripa-Seca.Depois de um bom segundo filme, a saga Crepúsculo atingiu um patamar ridículo com Eclipse. Quem sabe a quarta parte da série, Amanhecer, consiga melhorar a situação e conte uma história de verdade.

NOTA: 5,5

SET UFAM DE BOLSO - EDIÇÃO XXII

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Último "SET UFAM DE BOLSO" com a apresentação de Diego Toledano e Sarah Lyra.

Notícias sobre:

- novo filme de Roman Polanski;
- novidades no elenco de X-Men: The First Class;
- Motoqueiro Fantasma 2 vem aí;
- cena de abertura de Transformers 3 é revelada!

Não Perca!

domingo, 18 de julho de 2010

Vida de Cinéfilo - Bernardo Simões

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Bernardo Simões é jovem de Manaus que está prestes a fazer a viagem dos sonhos: ele vai estudar na Fail Sail,em Orlando, nos Estados Unidos, importante universidade americana de produção para tv e cinema.
Uma das paixões de Bernardo é o cinema e é isso que essa edição do quadro "Vida de Cinéfilo" vai mostrar!

Não Perca!

Soundtracks - Músicas da Disney

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O Soundtracks foi às ruas para saber quais músicas dos filmes da Disney o público mais gosta!
Tem de clássicos até filmes mais recentes!

Não Perca!

História do Cinema Amazonense - Cine Guarany

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Conheça agora um dos símbolos do cinema na cidade de Manaus: o Cine Guarany, uma das salas de exibição mais amadas e conhecidas da capital do Amazonas.
Participação especial da professora e pesquisadora da UFAM, Selda Vale da Costa.

Não Perca!

Eldorado - Episódio IX

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Mais um capítulo da saga dos irmãos Héctor e Éric para fazer o curta-metragem "Nunca Serás Liverpool".
Dessa vez, Héctor vai ter que superar o seu orgulho para o filme sair!

Não Perca!

Dicas de DVD - Julho

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Gabriel Machado traz as novidades das locadoras de Manaus!
Nessa edição, "Alice" e "Ilha do Medo" são as novidades!

Não Perca!

Biografia - Cameron Diaz

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Linda e talentosa, Cameron Diaz estrela o quadro "Biografia"!
Saiba mais sobre a carreira da atriz de sucessos como "Encontro Explosivo" e "Quem Vai Ficar Com Mary?"

Divirta-se!

Lista - Melhores Filmes Sobre Futebol

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Escolhemos cinco filmes que tem como tema principal o futebol!
Veja se você concorda com a nossa escalação!

Divirta-se!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Erros de Gravação

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Depois de muitos pedidos, erros de gravação no ar!

Fique a vontade para rir dos nossos micos!

Divirta-se!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Participações Especiais no SET UFAM

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No SET UFAM 34 contamos com duas participações super especiais: Camila Baranda e João Artur.
Os dois estão em Lexington, nos Estados Unidos, desde janeiro de 2010 em intercâmbio, mas gravaram essas chamadas para o programa.

Camila foi apresentadora do SET de julho de 2008 a dezembro de 2009.

Já Artur foi produtor no início do programa em dezembro de 2007. Após uma saída, voltou ao SET para apresentar o quadro Soundtracks em julho de 2009.

Agradecemos profundamente a atenção e o carinho dos dois por terem gravado tal participação, mesmo de tal longe.

Voltem logo, amigos!

Aposta da Equipe - Bradley Cooper

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Novo galã do cinema americano, Bradley Cooper é o destaque do quadro "Aposta da Equipe"!
Confira a carreira do astro de "Se Beber,Não Case" e "Esquadrão Classe A".

Divirta-se!

Estréias nos Cinemas de Manaus - 16 de Julho

Filme: Encontro Explosivo
Direção: James Mangold
Elenco: Cameron Diaz, Tom Cruise, Peter Sarsgaard
Sinopse: June (Cameron Diaz) é uma mulher solteira que espera mudar sua vida marcando um encontro às escuras com Milner (Tom Cruise). Ela não dá sorte. Milner a leva para uma aventura cheia de perigo, onde ninguém é o que parece.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro
Filme: À Prova de Morte
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Kurt Russell, Zoe Bell, Rosario Dawson
Sinopse: Três amigas saem para se divertir e chamam a atenção de todos por onde passam, inclusive a do misterioso Stuntman Mike, um dublê temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte




Pré-Estreia: Tudo Pode dar Certo de Woody Allen


domingo, 11 de julho de 2010

Eldorado - Episódio VIII

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Mais um episódio da saga dos Irmãos Éric e Hector para fazer o curta-metragem "Nunca Serás Liverpool"!
Participação Especial de Antônio Carlos Jr.

Não Perca!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SET UFAM - EDIÇÃO XXI

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O SET UFAM DE BOLSO está de volta!

Notícias sobre:

- bilheterias norte-americanas (Eclipse X Toy Story 3);
- Titanic em 3D;
- novo cartaz de Harry Potter;
- lançamento do filme nacional "Topografia de um Desnudo".

A apresentação é de Diego Toledano e Sarah Lyra!

Divirta-se!

Estreia da Semana nos Cinemas de Manaus - 9 de Julho

Filme: Shrek Para Sempre
Direção: Mike Mitchell
Elenco: Vozes no original de: Cameron Diaz, Antonio Banderas, Eddie Murphy, Mike Myers
Sinopse: Quarta aventura do ogro verde nas terras do reino do Tão Tão Distante. Shrek (voz original de Mike Meyers) está em crise por não ser mais o ogro assustador de sempre. Para recuperar sua fama de malvado, ele firma um pacto com Rumpelstiltskin. Tudo dá errado, Rumpelstiltskin assume o reino e Shrek tem de enfrentar como seria a vida em Tão Tão Distante se as pessoas não o tivessem conhecido.
ONDE: Cinemark,Cinemais,Playarte,Severiano Ribeiro

Pré-Estréia: Encontro Explosivo e À Prova de Morte

sábado, 3 de julho de 2010

Crítica - Toy Story 3

Já está ficando chato, mas assistir "Toy Story 3" faz com que falemos mais uma vez: a Pixar é demais e produz os melhores filmes do ano.
A nova obra-prima do estúdio da Disney é de uma complexidade, inteligência e ousadia que muitos filmes ditos "sérios" e "artísticos" não conseguem nem chegar aos pés.
Toy Story 3 apresenta os brinquedos Woody, Buzz Lightyear e companhia lidando com o crescimento de seu dono, Andy, e sua ida para a faculdade. Os bonecos ficam entre dois destinos: ou ir para o sótão, relegados ao esquecimento ou serem doados para uma creche. Por acidente, a segunda opção acaba acontecendo e eles vão parar em Sunnyside, onde precisam sobreviver as bagunceiras e destruidoras crianças do local, além do terrível urso de pelúcia, Lotso, que comanda a vida de todos os brinquedos de maneira ditatorial.
Quem for ao cinema assistir Toy Story 3 pensando em ver um filme leve e bobo, vai se enganar profundamente.
A trama trata sobre a necessidade de nos desapergarmos das coisas que amamos para continuar em frente, pois elas não se encaixam no momento que vivemos. Não significa, porém, que o carinho e amor por aquele objeto ou pessoa tenha chegado ao fim, somente é parte do passado. Por mais que torçamos que Andy tire seus brinquedos do baú e volte a se divertir com eles, sabemos que isso é inviável e que o destino deles é ir para o outro lugar, onde alguém poderá usá-los da melhor maneira possível.
Além disso, o filme passa uma bela mensagem sobre amizade, a força-motriz que une aqueles personagens desde o primeiro longa em 1995. A cena do lixão onde todos os brinquedos dão as mãos esperando pelo pior é de deixar o mais durão segurando-se para não chorar.Mas, pera aí!
Não é só de drama que Toy Story 3 vive, afinal de contas, é um filme que tem como público-alvo as crianças.
A inteligência do roteiro é incrível, recheando o longa com piadas e situações engraçadissímas em paralelo a sombria história. A dosagem é bem trabalhada, o que faz esses momentos surgirem de forma natural.
O Buzz Lightyear espanhol, dançarino de salsa com todos os trejeitos e estereótipos tão típicos dos personagens latinos em Hollywood é hilário.
Porém, nada supera o Ken, namorado da Barbie.
A forma de andar, o jeito de se vestir, as atitudes, tudo, simplesmente tudo, faz com que cada aparição desse personagem seja inesquecível.
A cena do desfile é, de longe, uma das mais engraçadas que já vi!Toy Story 3 mostra também uma evolução na questão técnica, com efeitos especiais ainda melhores em relação aos filmes anteriores. A técnica 3D é usada com sabedoria, servindo apenas como acessório para contar a história e não como elemento principal.
Destaque também para a trilha sonora, sempre bem utilizada.
Estamos somente no meio do ano, mas já pode-se dizer que Toy Story 3 está entre os melhores filmes da temporada. Para não dizer, o melhor filme do ano!

Salve a PIXAR!

NOTA:9,0