Filme: A Origem Direção: Christopher Nolan Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Michael Caine, Ken Watanabe, Marion Cotillard Sinopse: Don Cobb (Leonardo Di Caprio) é especialista em invadir a mente das pessoas e, com isso, rouba segredos do subconsciente, especialmente durante o sono, quando a mente está mais vulnerável. As habilidades singulares de Cobb fazem com que ele seja cobiçado pelo mundo da espionagem e acaba se tornando um fugitivo. Como uma chance para se redimir, Cobb terá de, em vez de roubar os pensamentos, implantá-los. Seria um crime perfeito, mas nenhum planejamento pode preparar a equipe para enfrentar o perigoso inimigo que parece adivinhar seus movimentos. Apenas Cobb é capaz de saber o que está por vir. ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro Filme: Meu Malvado Favorito Direção: Pierre Coffin, Chris Renaud, Sergio Pablos Elenco: Vozes no original de: Jason Segel, Russell Brand, Steve Carell Sinopse: Gru (Steve Carell) é o maior vilão do momento, mas tem seu posto abalado pelo novato Vetor (Jason Segel). Para recuperar o topo, ele planeja roubar a Lua, auxiliado pelas criaturas Minion. O problema é que três meninas órfãs veem nele a figura de um pai. Diante disso, Gru fica dividido entre roubar a Lua e abandonar as pequenas ou ficar com elas e desistir dos seus planos. ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro Filme: 400Contra1 - A História do Comando Vermelho Direção: Caco Souza Elenco: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Negra Li Sinopse: William da Silva (Daniel de Oliveira), um dos grandes articuladores daquilo que viria a se tornar o Comando Vermelho, vai parar no presídio de Ilha Grande, onde presos "comuns" eram colocados lado a lado com presos políticos. Neste universo de fugas consecutivas, assaltos e enfrentamento com os policiais locais, as amizades se destacavam e geravam dívidas que faziam com que foragidos retornassem à ilha para libertar seus companheiros. ONDE: Cinemais, Playarte, Severiano Ribeiro
- A Origem no topo das bilheterias norte-americanas; - Tropa de Elite 2 vem aí; - Filmagens de Homem Aranha 4 já tem data para iniciar; - Festival de Veneza seleciona os candidatos ao prêmio principal; - Inscrições Abertas para o Amazonas Film Festival 2010.
Cameron Diaz e Tom Cruise foram dois dos maiores astros dos anos 90 e começo da década passada. Um filme estrelado por eles era sinônimo de bilheterias altas. Sucessos como "Missão Impossível", "Jerry Maguire", "Quem Vai Ficar com Mary?" e "As Panteras" devem muito por ter um dos dois no elenco.
Porém, os tempos são outros e eles não conseguem mais repetir os êxitos do passado, amargando fracassos como "Jogo de Amor em Las Vegas", "Uma Prova de Amor", "Operação Valquíria" e "Leões e Cordeiros". Então, por que não se dar as mãos e tentar salvar as carreiras juntos, fazendo um filme de ação bem-humorado, satisfazendo as características dessas estrelas?
Daí surge "Encontro Explosivo".O filme mostra o ex-agente da CIA, Roy Milner (Tom Cruise), fugindo das autoridades por tentar vender para terroristas uma bateria que possui uma energia um pouco menor que a do Sol. Para chegar até ele, o antigo companheiro de Milner, Fitzgerald (Peter Sarsgaard), usa June Havens (Cameron Diaz) como isca para atrair o personagem de Tom Cruise. "Encontro Explosivo" tenta desde o início mostrar que é um filme que não se leva a sério em nenhum instante, abusando de clichês e do absurdo para mostrar este estilo. Os primeiros 15 minutos conseguem ser bem-sucedidos, apresentando os personagens principais em uma sequência divertida dentro de um avião. Só que a partir daí o longa caí vertiginosamente. Motivos não faltam: "as forçadas de barra" que o roteiro faz para que a história desenvolva-se são terríveis, parecendo que não houve imaginação para criar algo melhor; a má utilização dos bons coadjuvantes do elenco como Paul Dano, Viola Davis e, principalmente, Peter Sarsgaard, faz com que eles sirvam apenas de escada para as duas estrelas e as atuações de Cruise e Diaz são dignas de um parágrafo especial. A dupla de protagonistas vive um casal simpático e que possui carisma suficiente para segurar o filme durante seus longos 109 minutos. O que chama a atenção, porém, é a sensação de que eles nada mais fazem do que vestir a carapuça que os tornaram estrelas e agirem como tal quando o diretor grita "Ação". Pior que isso, é notar que Cameron Diaz e Tom Cruise são atores capazes de entregar apenas esse tipo de atuação: ela meio maluquinha, estriônica, com sua risadinha simpática e ele com sua cara de galã, fazendo o cabelo esvoaçar a cada cinco segundos e dando aquele sorriso "Colgate". "Encontro Explosivo" era uma boa idéia, mas que de tão artificial tornou-se previsível e sem emoção.
Em filmes de artes marciais, dou um desconto para a história. Me interesso nesse gênero pela porrada. Quanto mais mentirosa, melhor. Em Chocolate (2008), o diretor tailandês Prachya Pinkaew se aproveita da visualidade e da violência do Muay Thai, como já fez no cultuado Ong-Bak e em O Protetor, filmes anteriores seus. As diferenças são que Tony Jaa dá lugar à jovem Yanin Mitananda no papel de protagonista e que Chocolate tem algo exótico para filmes do gênero: uma premissa interessante.
O filme mostra como a autista Zen (Mitananda) financiou o tratamento contra câncer da mãe, Zin. Para conseguir o dinheiro, Zen contou com a ajuda do irmão de criação, o gordinho Moom. Ele era o cérebro na hora de cobrar os comerciantes devedores da mãe, enquanto Zen era a arma. Muitos deviam a Zin porque ela fazia parte da máfia e era companheira de Número 09, o chefão. Depois de uma disputa por território, ela conhece o yakuza Masashi, com quem teve um romance e a filha. Para criar com segurança Zen, que teve o autismo detectado ainda bebê, Zin, sadia, pede para Masahi voltar para o Japão e vai morar longe de Número 09, que vai procurar se vingar do chifre e, no final do filme, recuperar o dinheiro perdido.
A casa onde morava Zin, Zen e depois Moom, achado na rua enquanto era espancado, ficava ao lado de uma academia de Muay Thai. A garota observava os movimentos dos lutadores e era obcecada por Ong-bak, jogos de luta e filmes do Bruce Lee. Esses interesses foram o começo das suas habilidades em lutas. Ressalto isso porque você também pôde ter conhecido esse filme graças a um amigo que o vendeu como a história da garota que vira mestra em artes marciais só de ver o Tony Jaa lutar. Não é beeeeem assim, não. Isso porque fica claro que Zen treinava os golpes de Muay Thai, tanto que a mãe acolchoou uma pilastra da casa por causa dela. Além disso, os reflexos da garota foram treinados desde a infância, pois Moom fez dela uma artista de rua, que desviava ou aparava objetos jogados em sua direção. Ainda falando do amigo empolgado, ele pôde ter esquecido de lhe dizer do background narrativo dos pais, que é mostrado nos minutos iniciais do filme. Na sua sede de pancadaria e numa primeira assistida, talvez você também não tenha prestado atenção na beleza desses minutos iniciais, onde toda a relação de Zin e Masashi é explicada com imagens e não diálogos, ou no narrador filosofando sobre o interesse do yakuza pela beleza das imperfeições, motivo da sua atração por Zin.
Chocolate tem esse nome por causa do gosto de Zen por M&M`s. As balinhas funcionam como uma metáfora para o autismo da protagonista, que as organiza em fileiras de modo obsessivo, e também para a inocência dela, apesar de sua capacidade de fazer estragos. E que estragos. Yanin Mitananda, além de convencer como deficiente, fez ela mesma as cenas de luta, onde dá porrada em dezenas de inimigos, muitos deles de uma vez só, como na cena em que os joga com um pisão do alto de um prédio. O filme tenta criar um adversário à altura de Zen, um rapaz também autista, mas antes da luta dos dois vimos tantas lutas bem melhores que esse confronto de forças iguais fica menor. Dentre os cenários estão uma feira de carnes, uma fábrica de gelo e um dojô. As cores usadas realçam a atmosfera do lugar (no exemplo, vermelho para a feira, branco-gelo para a fábrica e amarelo claro para o dojô), e a coreografia se aproveita muito bem do ambiente: na feira, as cenas em que os dublês batem a coluna, se esbarram em quinas ou são perfurados vão lhe fazer exclamar de espanto e de dor mais do que quaisquer outras.
Assim como em Ong-Bak e em O Protetor, Pinkaew usa um gordinho para dar alívio cômico à história. Mas, ao contrário de seus filmes anteriores, ele usa pouco a câmera lenta e a repetição da mesma cena em vários ângulos diferentes, em todos os quais você se pergunta como Tony Jaa conseguiu fazer aquilo. Em Chocolate, Pinkaew também foi mais minimalista na fotografia, pois não filmou nenhum plano-sequência com quatro minutos de porrada, como em O Protetor. Em compensação, a trilha sonora do filme, um rock alternativo, se encaixa na proposta de inocência e agressividade da protagonista.
Cena de Ong-Bak com câmera lenta, múltiplos ângulos e gordinho fazendo graça - às vezes tudo ao mesmo tempo.
Plano-sequência de O Protetor. O título do vídeo não é exagero.
O descrédito de muitas pessoas com filmes de artes marciais é totalmente compreensível. Chocolate tenta agradar a esse público balanceando história e ação, apesar da lacuna no final e do humor involuntário provocado pelo inglês dos mafiosos. Mas essas falhas nada diminuem a inventividade da sua premissa, a beleza das motivações que levaram a ela e, claro, a coreografia das lutas, que são maravilhosamente exageradas.
Estreia das apresentadoras Emanuelle Canavarro e Karla Priscila.
Os destaques dessa edição são:
- "Salt" X "A Origem" as bilheterias norte-americanas; - novidades sobre "Piratas do Caribe 4"; - filmes nacionais em destaque: "400 Contra 1" e "O Bem Amado".
Filme: Salt Direção: Phillip Noyce Elenco: Angelina Jolie, Chiwetel Ejiofor, Liev Schreiber Sinopse: Antes de se tornar agente da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) prestou juramento de servir e honrar o seu país. Ela colocará seu juramento em prática, quando um desertor russo a acusa de ser espiã russa. Salt foge, usando todas as suas habilidades e anos de experiência como agente infiltrada para conseguir escapar dos seus inimigos, proteger o seu marido e fugir dos seus colegas da CIA. ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte e Severiano Ribeiro Filme: Kick Ass - Quebrando Tudo Direção: Matthew Vaughn Elenco: Aaron Johnson, Nicolas Cage, Clark Duke Sinopse: Dave (Aaron Johnson) é um jovem do estilo loser que decide se reinventar, costurar uma fantasia e se tornar um super-herói no mundo real. Kick-Ass, codinome usado pelo inocente garoto, parece fadado ao fracasso por não ter o tipo físico dos heróis e nem as habilidades especiais até perseguir bandidos com suas armas de verdade. No entanto, ele não é o único super-herói por a: a destemida e altamente treinada dupla de pai e filha, Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloe Moretz). Aos poucos, a dupla abala o império de crimes do mafioso local Frank D’Amico (Mark Strong), que vai levar Kick-Ass a provar se está realmente pronto para ser um super-herói. ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte Filme: Mary e Max - Uma Amizade Diferente Direção: Adam Elliot Elenco: Vozes na versão original de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman, Eric Bana Sinopse: Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle (voz de Toni Collette), uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz (voz de Philip Seymour Hoffman), um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e dois continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. Mary e Max é viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais. ONDE: Playarte
Por Renildo Rodrigues, diretor-auxiliar/produtor do Set Ufam
Falar de um artista que você admira é bem mais difícil do que parece. Como se manter objetivo, e não descambar para a exaltação? Como permanecer justo na avaliação e não cometer exageros? Digo tudo isto pra confessar que, no final, não consegui me manter fiel a nenhum destes preceitos. Ainda assim, espero convencer vocês, ao menos um pouco, de que Woody Allen vale a pena.
Woody Allen faz um tipo de cinema que está quase em extinção. Tomando como modelos o austríaco (naturalizado americano) Billy Wilder, diretor de algumas das melhores comédias da história ("Quanto Mais Quente Melhor", "Se Meu Apartamento Falasse" e "O Pecado Mora ao Lado", pra ficar apenas em três) e um mestre dos diálogos, mais o sueco Ingmar Bergman, autor de dramas densos e um estudioso das relações humanas ("Gritos e Sussurros", "Fanny & Alexander"), Allen encontrou uma combinação de comédia e drama que transformou o gênero da comédia romântica, com o lançamento de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", seu sexto filme, em 1977. De lá pra cá, Allen construiu um mundo próprio, centrado na sua amada cidade de Nova York, definido por relacionamentos amorosos, pela herança da arte e da psicanálise e pelo jazz. E que, independente de fatores culturais, pode dizer algo a todos nós.
Roteirista de mão cheia, recordista em indicações ao Oscar na categoria (14 vezes), Allen retrata ao mesmo tempo em que sublima o mundo real, com seus indivíduos em conflito com o desejo, buscando uma direção na vida, vivendo dramas familiares, crises de consciência, reflexões morais. Os filmes de Woody Allen são para adultos, um público cada vez mais esquecido no cinema atual. Em seus melhores trabalhos (Além de "Noivo...", poderia citar ao menos outros cinco: "Manhattan", "Memórias", "A Rosa Púrpura do Cairo", "Hannah e Suas Irmãs" e "Vicky Cristina Barcelona"), esses temas são investidos de elementos cinematográficos do mais alto nível, com narrativas sofisticadas, grandes atuações, montagem criativa e não-linear, fotografia e direção de arte impecáveis.
E não, NÃO é verdade que Woody Allen só faz se repetir e que não vemos um grande filme dele desde os anos 90. Em primeiro lugar, como todos os autores dignos do termo, Allen tem elementos similares em todas as suas histórias. Se isso pode se traduzir em preguiça (o que, às vezes, efetivamente acontece – "Igual a Tudo na Vida", "Trapaceiros", "Scoop: O Grande Furo"), na maior parte dos casos o que se vê é a depuração e, ao mesmo tempo, o aprofundamento deles. Segundo: com maior ou menor sucesso, os filmes de Allen, em toda a sua carreira, mantêm uma notável consistência criativa, e nesta década tivemos bons exemplos disso: "O Escorpião de Jade", "Melinda e Melinda", "Match Point: Ponto Final" e o já citado "Vicky Cristina Barcelona".
É isso. Se você chegou até aqui, espero que resolva dar uma chance ao diretor, que, mesmo aos 74 anos, ainda é um dos artistas mais relevantes de nossa época, e cujos filmes merecem ser aguardados. Palavra de fã.
Em tempo: ainda dá pra conferir "Tudo Pode Dar Certo", o último filme do diretor, em cartaz em Manaus.