domingo, 13 de fevereiro de 2011
Especial Oscar 2011: Bons filmes que o Oscar não premiou (parte 2)
Lugar de filme é no cinema!
Diretor-Geral do SET UFAM
Uma tendência em voga muito utilizada por cinéfilos ou por pessoas que gostam de ver filmes tem sido fazer downloadas em sites que disponibilizam essas obras, incluindo até legendas com ótima tradução.
Razôes não faltam para os consumidores do serviço:
1) o preço elevado dos ingresso de cinema, chegando a custar até R$ 24 nas sessões de fim-de-semana;
2) as poucas opções de filmes nas salas locais, restrita, quase sempre, aos principais blockbusters hollywoodianos;
3) em uma cidade caótica e estressante como Manaus, enfrentar o trânsito e a má educação de alguns espectadores desanima muitas pessoas de irem ao cinema;
4) o simples desejo de se manter "antenado" com o que acontece no mundo do cinema ou, em alguns casos, somente para dizer que viu antes mesmo.
Na maioria das vezes, os filmes "baixados" são lançamentos das salas de exibição ou futuras estreias que já estão em cartaz nos cinemas americanos ou, no caso das pessoas de Manaus, de longas que já estão passando no eixo Rio-São Paulo e que custam a chegar na cidade.
Dessa maneira, um público potencial de cinema vai deixando de frequentar as salas de exibição da cidade, preferindo assistir filmes em casa.
Sou contrário a essa prática de baixar filmes que vão passar nas salas de cinema.
Na minha visão, a atmosfera do cinema é única! Não há lugar no mundo onde é mais impactante de se assistir um filme do que em uma sala de projeção cinematográfica.
Quando um diretor talentoso como Christopher Nolan, Quentin Tarantino, David Fincher, Michael Haneke, Paul Thomas Anderson, Joel e Ethan Coen (só para ficar entre os melhores desses últimos anos) fazem suas obras, eles pretendem que o público possa desfrutá-la no cinema com todo o som e imagem que a telona pode mostrar.
Além da óbvia perda na qualidade de exibição, a capacidade que um cinema tem de nos fazer mergulhar no filme é clara.
Quando estamos em casa, podemos clicar no "stop" e ir tomar uma água ou ir no banheiro ou atender um telefone. Depois de um tempo, voltamos e assistimos até o fim (ou simplesmente podemos parar o filme e tchau!).
Já no cinema não!
O filme é quem comanda, levando-nos em sua viagem.
A telona é o centro de nossas atenções e nada mais.
Se vamos gostar ou não é outra história.
Outro ponto a favor é a reação do público a cada cena.
Não falo daqueles comentários imbecis feitos por pessoas pseudo-engraçadas que enchem os cinemas.
Lembro é dos "OOOOHHHHHHS!" e "NÃO ACREDITO" que bons filmes trazem em seus momentos chaves ou dos risos em uma boa comédia ou mesmo da cara de espanto e indignação de espectadores com a atitude de personagens da trama.
Para aqueles que assistiram "Cisne Negro", "A Rede Social", "Bravura Indômita", "Toy Story 3", "A Origem" e tantos outros filmes na tela de seus computadores ou na televisão de suas casas em vez de esperar um pouco e assisti-los nas salas de exibição de Manaus. lamento, pois tenho certeza que o impacto dessas obras seria bem maior nos cinemas!
PS: não entro no mérito da legalidade de baixar filmes. Não sou hipócrita de vir aqui dizer para não o fazerem. Todos sabem que é errado perante a lei, da mesma maneira que comprar DVDS piratas. Porém, o fato citado no post existe e discuto sobre ele pelo ponto de vista cinematográfico.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Especial Oscar 2011: Bons filmes que o Oscar não premiou
Após 82 anos, o Oscar continua sendo o prêmio mais querido dos cinéfilos. Isso porque, apesar de certas inclinações da Academia (filmes sobre o Holocausto, por exemplo) e eventuais injustiças, é uma cerimônia que sempre prezou por um bom padrão de qualidade, que não desmerece o sucesso popular, e, principalmente, que se renova: de olho nos trends da Sétima Arte, não deixou passar os movimentos estrangeiros, o “cinema de autor”, os blockbusters.
Mas, nessa estrada toda, sempre houve bons filmes eclipsados por outros que não mereciam, assim como os que passaram batido por não terem levado o prêmio. Eis alguns que, na próxima vez que você for à locadora, merecem ser revistos:
(Um aviso: estou me atendo à categoria de Melhor Filme, aqueles que mereciam tanto quanto Guerra ao Terror ou Onde os Fracos Não Têm Vez, mas, mesmo sendo premiados em outras categorias, não levaram)

– Já em 2009, tivemos uma grande ausência nos cinemas manauaras: Frost/ Nixon, recriação ficcional da entrevista em que o ex-presidente americano Richard Nixon, instigado pelo repórter David Frost, admitiu os crimes de sua administração. Pode passar a ideia de um filme chato, mas, na real, Frost/ Nixon é um eletrizante duelo de atuações, entregues aqui a Frank Langella, como Nixon, e Michael Sheen (Frost).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Estreias da Semana nos Cinemas de Manaus - 11 de Fevereiro
Filme: O Discurso do ReiDireção: Tom Hooper
Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Geoffrey Rush
Sinopse: George VI (Colin Firth), conhecido como Berty, assume, a contragosto, o trono de rei da Inglaterra quando seu irmão, Edward (Guy Pearce), abdica do posto em 1936. Despreparado, o novo rei pede o auxílio de um especialista em discursos, Lionel Logue (Geoffrey Rush), para superar seu nervosismo e gagueira. Com o tempo, tornam-se amigos.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte e Severiano Ribeiro
Filme: Bravura IndômitaDireção: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Matt Damon, Josh Brolin, Jeff Bridges, Hailee Steinfeld
Sinopse: Após a morte do pai, a jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld) contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) para caçar e capturar o assassino. Ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte e Severiano Ribeiro
Filme: BurlesqueDireção: Steve Antin, Dominic Deacon
Elenco: Cher, Christina Aguilera, Kristen Bell, Stanley Tucci
Sinopse: Ali (Christina Aguilera) é uma garota que sai de uma cidade do interior em busca da fama em Hollywood. Quando chega, Ali começa a trabalhar em uma boate, comandada por Tess (Cher), ex-dançarina de cabaré, que ajudará a menina a tornar seu sonho em realidade.
ONDE: Cinemark, Cinemais e Playarte
Filme: O RitualDireção: Mikael Håfström
Elenco: Alice Braga, Anthony Hopkins, Ciarán Hinds
Sinopse: Baseado no livro de Matt Baglio, o longa narra a história do cético seminarista Michael Kovak (Colin O’Donoghue) que, relutantemente, frequenta uma escola de exorcismo no Vaticano. Sua vida muda quando ele encontra o ortodoxo Padre Lucas (Anthony Hopkins), que lhe apresenta o lado mais obscuro de sua fé.
ONDE: Cinemark, Cinemais, Playarte e Severiano Ribeiro
SET UFAM NEWS
O Festival de Berlin 2011 tem início nesta quinta, 10 de fevereiro com a exibição de "Bravura Indômita", dos Irmãos Coen.O Brasil não participa da mostra competitiva, mas conta com Tropa de Elite 2" na mostra Panorama, "Os Residentes" na mostra Forúm e "Ensolarado" na mostra Geração 14plus.
Na briga pelo Urso de Ouro, 16 longas concorrem, sendo um deles uma co-produção entre Argentina, Alemanha e Uruguai.
O júri do festival será presidido pela atriz italiana Isabella Rosselini.
Leonardo DiCaprio estrela o novo filme de Clint Eastwood intitulado "J. Edgar". O longa vai contar a história J. Edgar Hoover, primeiro diretor do FBI, focando o período em que ele assumiu o cargo até a morte dele.
Além de DiCaprio, Naomi Watts, Judi Dench e Josh Lucas fazem parte do elenco.
O filme tem estreia marcada para 2012.
A nova versão de "Branca de Neve e os Sete Anões", agora com atores de carne e osso, já tem sua Rainha Má.Julia Roberts é o primeiro nome da adaptação a ser comandada pelo indiano Tarshem Singh ("Immortals").
A nova versão do clássico da Disney está com previsão de estreia para 2012.

Programação:
Terça, 08 de Fevereiro - "Édipo Rei" direção de Pier Paolo Pasolini (1967).
Quarta, 09 de Fevereiro - "Medéia" direção de Pier Paolo Pasolini (1969).
Quinta, 10 de Fevereiro - "As Troianas" direção de Mihalis Kakogiannis (1971).
Sexta, 11 de Fevereiro - "Becket" direção de Peter Glenville.
As sessões tem início a partir das 18hrs e é organizada pelo setor de Difusão Cultural da Secretaria de Cultura.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Crítica – O Discurso do Rei
Confesso que nunca tinha ouvido falar de Tom Hooper, o diretor de O Discurso do Rei (filme com o maior número de indicações ao Oscar deste ano, 12 no total). Conhecendo o seu trabalho a partir desta obra, sou obrigado a elogiá-lo pelo grande filme que fez, e reconhecer que são merecidas as suas 12 indicações. Porém, sem querer desmerecer o seu trabalho, acho que a sua tarefa não foi tão árdua, pois com o elenco que ele tinha nas mãos, ele só precisaria não atrapalhar, e deixar que os seus grandes atores fizessem o que sabem.
O filme conta a história de Albert, o Duque de York (Colin Firth) que assumiu o trono depois que seu irmão mais velho, o então Rei Edward VIII (Guy Pearce), abdica o trono inglês. O mundo está inserido na Segunda Guerra Mundial, e o povo da Inglaterra espera de um rei alguém em quem confiar, que passe segurança e força, neste delicado momento. Só que Albert é gago, e não consegue fazer pronunciamentos em público, de jeito nenhum, sem parecer inseguro e nervoso. Com a ajuda de sua esposa, a Rainha Elizabeth (Helena Bonham Carter), ele procura profissionais que o auxiliem com a sua gagueira, mas nunca consegue encontrar alguém que pareça capaz o suficiente. Até que eles encontram o excêntrico Lionel Logue (Geoffrey Rush), que apesar de possuir métodos estranhos, consegue ajudar o rei a enfrentar a gagueira.
Como se pode ver, a trama é muito simples. Mas não me entenda mal, pois mesmo sendo simples, o roteiro de David Seidler passa uma grande complexidade no que se refere a densidade dada a cada personagem. Fazendo com que, sem pressa, acompanhemos o desenrolar da história e, com o passar do tempo, criemos uma simpatia pelos personagens. Aliás, é bom o Christopher Nolan ficar de olhos abertos, pois o roteiro de Seidler pode surpreender e roubar o prêmio de melhor roteiro original.
Mas mesmo com uma boa direção e um bom roteiro, o que diferenciaria o filme de ser um filme bom, ou um grande filme, seria a qualidade das interpretações, e o quão afinados estariam os seus atores principais. E é justamente esse o ponto que desequilibra a balança a favor de O Discurso do Rei.
Os três atores principais estão perfeitos. Helena Bonham Carter, vivendo a compreensiva e companheira esposa do rei transmite uma simplicidade e naturalidade que, antes de ver o filme, achei que ela não conseguiria passar. Calma. Acho a Helena Bonham Carter uma boa atriz, mas convenhamos: Ela se tornou conhecida por fazer papeis, digamos, excêntricos (saga Harry Potter, Clube da Luta, Sweeney Todd, Alice). Ou seja, é bom ver algum ator, que se tornou famoso por um estilo, ousar e ir por um caminho diferente na carreira. E ela se sai muito bem.
Já para Geoffrey Rush foi o contrário: Ele seria o excêntrico da história, e ser o contraponto do sisudo rei. E Rush cumpre o seu papel maravilhosamente bem. Ele é a alma do filme. Claro que Colin Firth tem o papel mais importante, mas é com a presença de Rush que o filme cresce. Aliás, os melhores momentos são quando Firth e Rush dividem a cena, com ótimos duelos de interpretação, mostrando como pode ser mágica uma cena em que temos dois grandes atores em grandes performances.
Colin Firth, criando uma gagueira perfeita, mostra todas as inseguranças vividas por um rei, que não queria ser rei, mas se viu obrigado a assumir o trono. A veracidade da gagueira dele me impressionou muito no começo, pois ela é perfeita. Porém, depois de um tempinho, percebe-se que isso é apenas 1% do trabalho de Firth, que explora todos os sentimentos do personagem. Insegurança, medo, vontade de vencer, ciúme, amizade, desejo e aceitação, enfim, tudo isso emana da figura de Firth. Um grandíssimo trabalho de um grande ator.
Outro ótimo ponto de O Discurso do Rei é a sua direção de arte. Ótima. Somos transportados para a Inglaterra e chega a impresionar o realismo dos seus cenários.
O Discurso do Rei é um filme simples, sem ser simplista; divertido, mas com muita inteligência; emocionante, sem ser apelativo; e com aulas de interpretação. E que, acima de tudo, merece ser visto e aplaudido.
NOTA: 8,0
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Manaus e o circuito de cinema de arte
POR CAIO PIMENTA
Diretor-Geral do SET UFAM
No último sábado, dia 5 de fevereiro, fui até a pré-estreia do filme "O Discurso do Rei" no Millenium Shopping.
O filme com 12 indicações ao OSCAR e grande favorito a premiação, principalmente depois das vitórias nos sindicatos dos atores e produtores de Hollywood foi exibido em sessões únicas na sexta e sábado a partir das 22:10.
Esperava um bom público, tanto que comprei o ingresso antecipado para evitar filas.
Após assistir "O Vencedor", outro concorrente ao OSCAR de melhor filme, e dar uma volta no shopping, voltei ao piso dos cinemas e encontrei uma fila.
Fiquei feliz por achar que ela era para quem queria assistir a biografia do rei George VI.
Pura ilusão!
A fila, na verdade, era para "Santuário", filme produzido por James Cameron e mais uma produção a utilizar as três dimensões para atrair o público.
Já “O Discurso do Rei” tinha uns gatos-pingados esperando para que abrissem a sessão.
Quando finalmente chegou a hora de entrar na sala, minha decepção foi maior ainda: menos de 50 pessoas em uma sala com capacidade para 166 pessoas!
Isso para acompanhar O FAVORITO AO OSCAR 2011!
Vai entender!
Se a sessão fosse em Fortaleza, Belém, Goiânia, Natal, Recife, Aracaju, Salvador ou Florianópolis haveria briga para assistir o filme.
Nem cito Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre para não virar covardia!
Cadê as pessoas que tanto reclamavam sobre a ausência de filmes alternativos ou de arte em Manaus?
Onde estava o público preocupado se os filmes do OSCAR 2011 chegariam ou não a cidade ou mesmo de conferir um ótimo filme como é “O Discurso do Rei”?
Não é a primeira vez que um filme mais alternativo ou de maior qualidade artística apresentam estréias pífias nos cinemas de Manaus.
Tal situação desanima qualquer distribuidor a trazer filmes um pouco mais fora do padrão de blockbuster ou a cobrança das redes de cinema por longas desse tipo.
Não adianta reclamar da falta de opções de bons filmes se quando eles estreiam nos cinemas de Manaus o publico é pequeno.
Resisto a acreditar que em uma cidade de 2 milhões de habitantes não haja público para o cinema do circuito alternativo ou de “arte”.
Com públicos minguados como recebeu a pré-estreia de “O Discurso do Rei”, jamais veremos filmes como “Biutful”, “Lixo Extraordinário”, “Minhas Mães e Meu Pai”, “Inverno da Alma”, “Como Esquecer” “O Concerto”, “O Mágico”, “Tetro” e “Um Lugar Qualquer.
E a pergunta que fica: merecemos mesmo receber estes filmes?
