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terça-feira, 29 de março de 2011

Inauguração do Cineclube Canoa




Manaus ganha mais um cineclube na noite desta terça, 29 de março, com a inauguração do Cineclube Canoa, organizado pela Associação de Cinema e Vídeo do Amazonas (ACVA).

As sessões vão acontecer toda terça-feira, a partir das 18:30mins, no Espaço Cultural “Arte e Fato”, localizado na rua 10 de Julho, ao lado da Casa Ivete Ibiapina, no Centro da cidade.

O primeiro filme a ser exibido é “A Classe Operária vai ao Paraíso”, de Elio Petri. O longa de 1971 mostra a vida de um operário-padrão italiano dividido entre os sonhos de consumo da classe média e os movimentos de protesto de sua categoria.

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o filme é um dos principais representantes do cinema político italiano dos anos 60 e 70. Censurado durante o período da ditadura militar por apresentar temas voltados ao comunismo, “A Classe Operária vai ao Paraíso” só foi exibido no Brasil na década de 80.

Além da exibição do filme de Elio Petri, o Cineclube Canoa ainda homenageia o professor Narciso Lobo, um dos maiores pesquisadores sobre o cinema amazonense e autor dos livros A tônica da descontinuidade. Cinema e política na década de 60” (1994) e “Hoje tem Guarany” (1983), este último em co-parceria com a professora Selda Vale da Costa, a qual irá representar o Lobo, morto em 2009.

O Cineclube Canoa junta-se ao Cine Vídeo Tarumã do Departamento de Comunicação Social da UFAM, ao Clube do DVD, ao Cineclube Baré da Livraria Valer e ao “Tudo Muda Após o Play” do Coletivo Difusão como mais um espaço para a discussão cinematográfica em Manaus.

Não Perca!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cinema Amazonense - 2010 - 2011

POR CAIO PIMENTA
Diretor-Geral do SET UFAM

2010 foi o ano de consolidação do cinema amazonense.
Fatos não faltam para afirmar tal cenário:

1) a volta das produções locais ao cenário dos principais festivais de cinema do país, como aconteceu em Brasília quando "Cachoeira", de Sérgio Andrade, venceu em duas categorias;

2) o surgimento de novos cineastas como os talentosos Daniel Luiz Batista e Janssem Cardoso, diretores de "E Agora o Que Nois Ramû Comê?" e "O Conto da Rosa", respectivamente. Ambos trouxeram novos caminhos a serem explorados pelo cinema local;

3) a afirmação mais do que merecida de Zeudi Souza após a vitória de "Perdido", filme mais bem produzido no Estado em 2010, na categoria do júri de melhor curta-metragem local do Amazonas Film Festival;

4) a garra de Bosco Leão ao realizar "O Rock que o Brasil não Viu", documentário de 76 minutos sobre o cenário roqueiro de Manaus, é impressionante e digna de aplausos;

5) o Coletivo Difusão apostou na videodança e fez belos vídeos experimentais como "Contra-Fluxo", de Valdemir de Oliveira e "Algoritmo", de Michelle Andrews;

6) Júnior Rodrigues realizou o melhor curta de sua carreira, "Uainá - Lágrimas de Veneno".

Além disso, os cineclubismo vai ganhando espaço na cidade, com os cineclubes "Tudo Muda Após o Play", do Coletivo Difusão, "Cine Vídeo Tarumã", da UFAM e o "Baré".

O Amazonas Film Festival, apesar de ter trazido menos famosos se comparado as edições anteriores, ofereceu maior destaque aos cineastas locais, além de uma programação acadêmica interessante e vasta. Destaque também para o Curta 4.6 e a "5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul”

A vinda do crítico de cinema e editor do site "Cinema em Cena", Pablo Villaça, foi marcante e mostrou o quanto já passou da hora de Manaus ter cursos especializados na sétima arte. A sala cheia de gente é uma boa prova disso.

Porém, nem tudo foram flores: a polêmica envolvendo a antiga chefia da Associação de Cinema e Vídeo do Amazonas, com acusações ao cineasta e ex-diretor da ACVA, Júnior Rodrigues, de ter se utilizado do órgão para realizar projetos pessoais e utilizar a conta bancária da instituição são graves e merecem esclarecimentos.

A ausência da Mostra Amazônica do Filme Etnográfico em 2010 foi sentida, após três edições bem-sucedidas.

Manaus ainda sofreu com as salas de exibição dos principais shoppings da cidade.

Além dos recorrentes atrasos e não vinda de excelentes filmes ("O Segredo dos Seus Olhos", "A Fita Branca", "Educação", "Um Homem Sério", "Scoot Pilgrim Contra O Mundo", "Minhas Mães e Meu Pai" são alguns dos exemplos), sofremos com o preço dos ingressos (cada vez mais caros), falta de qualidade nas exibições (legendas fora da tela, filme desfocado, luzes ligadas durante boa parte da projeção), mau atendimento, salas e cadeiras sujas...

O anúncio da chegada de rede de cinema mexicana "Cinepólis" com 12 salas no Shopping Ponta Negra em 2012 não deve mudar muito o panorama das coisas.
Expectativas para 2011:

- o primeiro longa-metragem do Amazonas depois de 40 anos vai sair do papel com o novo filme de Sérgio Andrade: "A Floresta de Jonathan";
- Keila Serruya promete com o documentário sobre a Banda da Bica;
- o Coletivo Difusão realiza a 1a Mostra Internacional de Videodança na Amazônia em março no ICBEU com o apoio do Programa Petrobras Cultural;
- Zeudi Souza termina este ano o curta-metragem sobre a história do estádio Vivaldo Lima;
- Júnior Rodrigues promove a décima edição do Festival "UM Amazonas";
- interiorização do cinema com festivais em Itacoatiara, Codajás, Manacapuru, Parintins e outras cidades do Amazonas são esperados;
- torcer pelo sucesso e cobrar resultados da nova diretoria da ACVA, formada por Michelle Marques e Isis Negreiros;
- a Mostra Amazônica do Filme Etnográfico volta neste ano;
- primeira turma formada com especialização em Cinema da Uninorte;
- hora de cobrar a promessa realizada pelo governador Omar Aziz na noite de encerramento do 7º Amazonas Film Festival de que UEA teria curso de cinema neste ano!