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terça-feira, 5 de julho de 2011

Filmografia: Christopher Nolan

por Gabriel Oliveira

Christopher Nolan é um daqueles casos de “ame-o ou deixe-o”. O diretor gosta de histórias quase épicas e com um toque sombrio (o que explica muito ter sido ele escolhido para o novo Batman). Mas sua maior habilidade é mergulhar nas confusões psicológicas de seus personagens (e das próprias histórias), e deixar os espectadores tão perdidos quanto as figuras na tela, bagunçando a estrutura da narrativa convencional ou inserindo detalhes e revelações que nos pegam de surpresa. Todo esse clima de mistério e grandiosidade parece pretensioso demais para alguns, mas a verdade é que Nolan possui inventividade o suficiente para fazer isso muito bem. O lema de Christopher Nolan deve ser o mesmo conselho que Cobb (Leonardo DiCaprio) dá a Ariadne (Ellen Page) em A Origem: “nunca use lugares que você conhece; sempre imagine lugares novos”. Da mesma maneira, Nolan provavelmente está sempre à procura de algo novo, misterioso e surpreendente para mostrar.

Curta: Doodlebug (1997)

Produzido quando Nolan cursava Literatura Inglesa na Universidade de Londres, seu terceiro curta, Doodlebug, ao contrário dos dois primeiros (Tarantella e Lacerny), pode ser encontrado com facilidade aqui, graças ao bom e velho Youtube. São apenas 3 minutos que já mostram um pouco do “jeito Christopher Nolan de fazer filmes”. Até mesmo o princípio da ideia dos “níveis” de sonhos de A Origem já estava ali, ou estou querendo ver ligações que não existem?

Following (1998)

Following
O primeiro longa-metragem de Christopher Nolan conta a estória de um aspirante a escritor que adquire o estranho hábito de perseguir desconhecidos, até que se depara com um ladrão que o instrui na arte de assaltar casas.
Feito com o orçamento de apenas 6 mil dólares, o filme foi realizado com a ajuda de amigos e parentes, com poucos recursos (a iluminação, por exemplo, é quase toda natural), e filmado todo em preto-e-branco. A narrativa é conduzida de maneira não-linear, mostrando fatos em ordem cronológica aleatória. Além disso, o filme já contava com uma surpresa no final, típica do diretor que adora confundir seus espectadores. Aliás, segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, é justamente nessa produção independente que reside a semente da qual surgiria, mais tarde, A Origem. Não é à toa que o nome do ladrão seja Cobb, mesmo nome do protagonista da recente superprodução, embora esse seja apenas um detalhe.
 
Amnésia (Memento, 2000)
 
Memento_posterA trajetória de um homem viúvo (Guy Pearce) obstinado a encontrar e matar o assassino de sua esposa. O problema é que ele sofre de um problema de perda de memória recente, que o impede de guardar qualquer lembrança de fatos ocorridos depois do incidente que ocasionou a morte da mulher.
Mais uma vez, Christopher Nolan constrói uma narrativa não-linear: a história é mostrada em ordem cronológica inversa, ou seja, o filme começa pelo seu final. Assim, a sensação do espectador é como a do protagonista desmemoriado: como cheguei aqui? O que aconteceu antes disso? O diretor nos guia não ao fim da narrativa, mas sim ao começo dela, como se o filme fosse uma sucessão de flashbacks. O resultado é surpreendentemente bom, e ganhou merecidas indicações ao Oscar por roteiro original e montagem.
 
Insônia (Insomnia, 2002)
 
Insomnia2002PosterO terceiro longa de Nolan é a refilmagem de um longa norueguês de 1997. Contando com a presença do poderoso Al Pacino no papel principal, o filme conta a história de um policial que mata seu parceiro por acidente durante uma perseguição na neblina. A partir daí, ele tenta encobrir suas pistas, mas passa a ser chantageado pelo assassino a quem perseguia. Tanta pressão psicológica, aliada à iluminação constante de uma cidade do Alasca onde o sol nunca se põe, deixa o protagonista insone por várias noites, e ele se torna cada vez mais perturbado.
Insônia é um bom filme policial, mas nada além disso. Na verdade, possui um clímax tão fraco que eu fiquei me perguntando se era mesmo um filme de Christopher Nolan. Talvez possa ser considerado o longa mais “normal” do diretor, por não conter nenhum truque ou surpresa extraordinária. Até mesmo a perturbação psicológica na qual o protagonista embarca não é tão explorada assim, e a suposta lição de moral no fim do filme soa deslocada. É a experiência hitchcockiana de Nolan.
 
Batman Begins (2005)
 
Batman_beginsEm 2003, Christopher Nolan se uniu a David S. Goyer, então roteirista de Blade, e se lançou em um novo desafio: convenceu a Warner Bros. a ressuscitar a franquia Batman, que havia sido enterrada depois que passara pela roupagem carnavalesca das mãos (extremamente) ruins de Joel Schumacher. Embora já com uma bagagem de três filmes, Nolan era um diretor relativamente desconhecido do grande público, o que representava um risco para o estúdio. Contudo, o resultado foi sucesso não só comercial, mas também de crítica. Os elogios vieram pelo fato de que, finalmente, víamos um Batman próximo àquele dos quadrinhos, trágico e sombrio. Para contar a origem do herói, o diretor optou pelo uso de um tom realista, que conferisse verossimilhança à estória. Graças ao feito, Christopher Nolan despontou para o grande público.
 
O Grande Truque (The Prestige, 2006)
 
Prestige_posterBaseado em um conto do irmão do diretor, frequente parceiro em suas produções, O Grande Truque (que, aliás, é um daqueles casos em que o título em português foi uma péssima escolha) narra a disputa entre dois mágicos (interpretados por Christian Bale, com quem Nolan já trabalhara em Batman Begins, e Hugh Jackman), dispostos a grandes sacrifícios para prejudicar um ao outro e atingir o sucesso. Nolan apresenta os pontos de vista de ambos os protagonistas, adotando os dois como narradores em determinados momentos da trama. Novamente, a narrativa é não-linear, e guarda uma grande surpresa no final, em um clímax de tirar o fôlego. É um daqueles filmes a que se reassiste várias vezes, buscando as respostas para o mistério.
 
Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)
 
batman-the-dark-knight-posterVoltando à franquia do homem-morcego, Nolan provou ser mais versátil do que já parecia: se Batman Begins já mostrava uma maturidade até então incomum para filmes de super-heróis, O Cavaleiro das Trevas foi além nesse quesito, simplesmente ao trazer para a história a figura do Coringa (brilhantemente interpretado por Heath Ledger).
Mais uma vez apresentando o herói em um contexto realista, o diretor construiu um filme mais sombrio que o primeiro, e com um poder devastador sobre o público, acionado não só pela trama na qual o vilão quase roubou toda a cena, mas também por elementos como o uso da trilha sonora tensa de James Newton Howard e Hans Zimmer. Christopher Nolan construiu uma obra magistral, e mais uma vez obteve merecido reconhecimento de público e crítica. O filme foi um arrasa-quarteirões, tornando-se a sexta maior bilheteria mundial.
 
A Origem (Inception, 2010)
 
inceptionUm homem que conseguiu ressuscitar uma franquia que parecia destinada ao total esquecimento, é queridinho por crítica e público e constrói filmes que, além de inteligentes, são comerciais, já tem o direito de receber carta branca de um estúdio para fazer o que bem entender. Foi exatamente o que aconteceu com Christopher Nolan, que enfim pôde se dedicar a um roteiro de autoria própria sobre o qual já se debruçava há vários anos. Daí veio A Origem (outro péssimo título em português, aliás), o blockbuster  que merecia ter levado o Oscar desse ano, mas foi ofuscado pelo simpático O Discurso do Rei. Aliás, é interessante notar como a Academia sempre arruma uma maneira de ignorar injustamente Nolan nas indicações a melhor diretor: deve ser uma espécie de maldição que eu sinceramente espero que passe logo.
O que Nolan fez aqui foi, basicamente, um “filme de assalto”, mas em um cenário inusitado: o universo dos sonhos. Embora o próprio Nolan assuma que não é o melhor filme sobre sonhos já feito, uma vez que ele usou apenas suas próprias experiências, trata-se de um longa magistral em tudo: estética, roteiro e trilha sonora (muito bem conduzida pelo parceiro Hans Zimmer, e também digna de Oscar). É um filme de ação, uma ficção científica, uma metáfora sobre o próprio modo de fazer cinema, e, além de tudo, um longa que, nesses tempos sombrios de continuações de Transformers, prova que um blockbuster pode sim ser inteligente e fazer o público pensar frente a um espetáculo visual (embora algumas pessoas mal-acostumadas não tenham gostado exatamente por isso). E tem a presença do peão mais polêmico da História.
 
The Dark Knight Rises (previsto para 2012)
 
darkknighrisesA espera fica agora para o próximo filme de Christopher Nolan, que já declarou que será o último da franquia Batman dirigido por ele. Para o capítulo final da trilogia, o diretor convocou atores com quem trabalhou antes, como Tom Hardy, no papel do vilão Bane, Marion Cotillard e Joseph Gordon-Levitt, e também Anne Hathaway, para o papel de Selina Kyle, a Mulher-Gato. Muito se especula atualmente quanto ao roteiro do filme, principalmente pelo fato de que, nos quadrinhos, Bane é responsável por quebrar a coluna do homem-morcego, deixando-o paraplégico. Fica a pergunta: será que é assim que Nolan pretende encerrar a trilogia? A expectativa é muita, mas aguardemos ansiosos, evitando spoilers, até julho de 2012, quando enfim o filme estrear nos EUA (e espera-se que não demore mais do que isso pra chegar aqui também).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SET UFAM NEWS

Veja agora quais são as principais novidades do mundo do cinema no SET UFAM NEWS!


Quando James Cameron fala, o mundo do cinema para e escuta. Afinal de contas, o homem é o realizador das duas maiores bilheterias da história.

Dessa vez, James Cameron criticou a ausência de Christopher Nolan na categoria de melhor diretor no OSCAR 2011 por "A Origem".

Segundo ele, o filme é um dos mais fantástico dos últimos anos, assim como a direção de Nolan.

Cameron ainda afirmou que discorda da Academia em diversos sentidos.





O cinema perdeu no domingo, 31 de janeiro, o compositor de trilhas sonoras John Barry, aos 77 anos.

Vencedor de 5 OSCARS, Barry é conhecido por ser autor da trilha de 11 filmes da série James Bond.


A rede de notícias inglesa BBC informou que o compositor sofreu um ataque cardíaco, porém nenhuma nota oficial foi emitida.









O novo filme de Bradley Cooper e Robert De Niro, "Sem Limites", teve sua primeira foto divulgada.

No filme, Cooper é um escritor sem inspiração e entediado que começa a usar uma droga que melhora seu processo criativo. O excesso do uso do entorpecente faz com que ele ganhe poderes sobre-humanos.

"Sem Limites" tem estreia prevista no Brasil para o dia 18 de março de 2011.





"Os Residentes", dirigido por Tiago Mata Machado (foto), foi o grande vencedor da Mostra de Cinema De Tirandentes, Minas Gerais.

O filme ganhou o prêmio do júri da crítica quanto do o dos estudantes universitários.

"Os Residentes" vai ser exibido no Festival de Berlin deste ano.









O Festival de Paulínia, em São Paulo, divulgou as datas de realização do evento deste ano.

A quarta edição do evento vai ser realizada entre os dias 7 a 14 de julho e as inscrições vão ser aceitas a partir de primeiro de março.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Prêmios SET UFAM - Melhores de 2010 - Diretor


Mais um prêmio vai sair agora na categoria de melhor diretor!

Concorrem José Padilha por "Tropa de Elite 2", Christopher Nolan em "A Origem" e Quentin Tarantino por "À Prova de Morte".

Veja quem a equipe do SET UFAM escolheu!

domingo, 22 de agosto de 2010

Biografia - Christopher Nolan


Diretor de "A Origem" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas", Christopher Nolan é o homenageado do quadro Biografia.

Não Perca!

sábado, 21 de agosto de 2010

CrítIca - A Origem

Por Caio Pimenta
Diretor-Geral do SET UFAM


Há quatro meses fiz um texto para este blog sobre uma lista com os 10 melhores diretores da atualidade. Claro que houve muita polêmica. Duas chamaram a minha atenção: o questionamento do porquê grandes nomes como Scorsese e Tarantino não estavam presentes e dúvidas sobre o talento de Christopher Nolan, que muitos julgavam ser um bom diretor, mas não tanto para ser o primeiro colocado.

Talvez, agora com o excelente “A Origem”, o trabalho do americano seja visto com o valor merecido.

O sétimo longa-metragem de Nolan conta a história de Don Cobb (Leonardo DiCaprio), especialista em invadir a mente das pessoas no momento em que elas estão dormindo para roubar segredos guardados no subconsciente das pessoas. Prestes a se aposentar, ele é convencido por Saito (Ken Watanabe), membro de uma empresa energética em difícil situação no mercado, a agir pela última vez: a missão é colocar uma idéia na mente de Robert Fisher (Cillian Murphy), o que pode tornar possível uma mudança no comando do setor da energia mundial. Porém, esse é um tipo de operação complexa, envolvendo três dimensões do subconsciente, o que torna tudo mais instável. Para piorar, Cobb possui um trauma familiar que pode colocar tudo a perder.


Criar um universo tão rico de modo que o espectador não se perdesse era o maior desafio de Christopher Nolan. Afinal de contas, precisamos acompanhar em boa parte da trama de 3 a 4 linhas narrativas, cada qual com suas particularidades.

Por isso, no primeiro ato somos convidados a conhecer as regras, o mundo dos sonhos, os limites do que se pode ou não fazer e quais habilidades os profissionais precisam para enfrentar o desafio de “plantar” uma idéia na cabeça de alguém.

Apesar de em alguns momentos o filme perder o ritmo devido as constantes (e necessárias) explicações, somos brindados com diálogos densos sobre os truques usados para a enganar a mente e a excelente seqüência em Ariadne (Ellen Page) está dentro da mente de Don Cobb e vai descobrindo (e nós também) como criar o mundo dos sonhos sem causar desconfianças na pessoa invadida.

Assim que Cobb e sua equipe começam a invasão ao mundo dos sonhos, a tensão e a ação crescem o que permite ao diretor criar três belas seqüências: a perseguição de um bando armado logo na chegada do grupo ao sonho de Fisher, mostrando o tamanho do desafio, mesmo que ele seja extremamente planejado; a luta entre Arthur (Joseph Lewith-Gordon) com os seguranças do hotel, onde eles parecem duelar como super-heróis, com golpes rápidos e capazes de voar, mesclando referências a Superman, Matrix e 2001 – Uma Odisséia no Espaço; e o clímax do filme reúne toda a loucura e criatividade do roteiro de Christopher Nolan.

Leonardo DiCaprio mostra mais uma vez a maturidade que o vem tornando um dos melhores atores de Hollywood, apresentando um homem instável, mesmo tentando transparecer o oposto.

Cobb é um profissional competente, o melhor que há em sua categoria, capaz de criar sonhos perfeitos, conhecedor de todos os limites do subconsciente humano.

Porém, o trauma que carrega e o sofrimento de não poder ter os filhos por perto é tão grande que o fazem sentir-se vulnerável, colocando em risco todo o grupo. Já Marion Cottilard dosa muito bem as variantes de Mallorie Cobb: da mesma forma que pode aparecer bela e sensível, com um leve toque de carência, pode estar ameaçadora e paranóica em outro take, o que caracteriza perfeitamente a fragilidade emocional da personagem.

Infelizmente, a diferença entre DiCaprio e Cottilard e o restante do elenco é grande.

Ellen Page possui carisma, mas não consegue fazer Ariadne “decolar”, sendo mera coadjuvante de DiCaprio.

Já Watanabe até que começa bem, mostrando Saito como uma pessoa preocupada pela grave situação econômica em que se encontra e ambicioso ao extremo, porém depois de um determinado momento não faz mais nada na história.

Michael Caine faz uma ponta impossível de avaliar qualquer coisa, enquanto Cillian Murphy e Joseph Lewith-Gordon conseguem ser bons coadjuvantes e nada mais que isso.

Nos aspectos técnicos de “A Origem” chama a atenção a trilha sonora de Hans Zimmer, sufocante, densa e misteriosa, com toque épicos, porém contidos, que nos joga no filme como uma espécie de labirinto a ser cada vez mais desvendado (ou não).

Outro ponto de destaque é a direção de arte e edição, principalmente na cena da escadaria infinita, pois a rapidez dos cortes e a construção de todo o cenário nos engana da maneira planejada por Nolan. Se não houver indicações ao Oscar 2011 nessas categorias, a Academia vai estar cometendo um crime.


“A IDÉIA É O PARASITA MAIS RESISTENTE” – Don Cobb


Dessa forma, Don Cobb mostra a importância de seu trabalho e de todo o universo no qual se passa “A Origem”: a possibilidade de mudar o rumo do mundo ou conseguir informações secretas usando os o subconsciente das pessoas.

Interessante notar que em nenhum momento há garantias de que tal método é 100% eficiente, mas a crença de que se criando um mundo parecido com o nosso, tornando o sonho o mais real possível, a chance da idéia “plantada” tornar-se, no mínimo, um pensamento incômodo é grande.

Viver a realidade, cheia de imperfeições, problemas, situações incômodas e da rotina se há possibilidade de construção de sonhos perfeitos é um dilema que os personagens de “A Origem” enfrentam.

A divisão entre o que é realidade e sonho é tão frágil que percebe-se claramente em vários momentos a dificuldade de Don Cobb em saber o que ele está vivendo.

Porém, nada melhor ilustra tal situação do que o relacionamento entre o personagem de DiCaprio e sua esposa, já que o período vivido dentro dos sonhos é intenso, romântico, a concretização do amor idealizado por qualquer casal.

A conseqüência da necessidade de volta ao mundo real mostra a fragilidade que uma imersão profunda em um sonho pode representar e o perigo de não se estar preparado para isso.


Não há como comentar “A Origem” sem falar sobre a cena final.

Então quem quiser ler a partir daqui, já sabe que vai ter SPOILERS.

OK?

Vamos lá: a beleza da construção da cena final de “A Origem” é a mostra decisiva de como Nolan tinha todo o filme sob controle.

Quando vemos, após toda a imersão nos sonhos de Robert Fisher, o personagem de Don Cobb encontrar os filhos, não há como se emocionar com sua conquista, mesmo sabendo que o suicídio de Mal está relacionado a uma trapaça realizada por ele.

Daí, quando ao entrar em casa, pouco nos importamos se ele gira o totem, objeto que faz os personagens saberem se aquilo que vivem é real ou não, pois, nesse momento, a câmera foca mais o abraço dele nos filhos. De repente, Nolan nos faz atentarmos novamente ao totem que continua girando, indicando que tudo é um sonho.

Pouco depois vem o corte e fim de filme.

O detalhe é o momento do corte: a impressão que passa é que o totem está para começar o movimento de queda, porém a velocidade dele tende a continuar girando.

Qual a conclusão podemos tirar?


Isso é com o espectador.

Podemos crer que tudo não passava de um sonho, criado por Mal para fazer com que Cobb acreditasse ter saído do mundo perfeito do casal.

Outra opção é achar que o totem realmente caiu e o personagem de Leonardo DiCaprio conseguiu voltar a viver com os filhos.

Ou então que Saito enganou Cobb. Ou que esses dois estão no limbo e por aí vai.

Mil intepretações podem surgir desse momento.

Exatamente o que Nolan planejava ao idealizar a cena.

Christopher Nolan conseguiu construir um mundo incrível em “A Origem”, cheio de significados e conceitos complexos.

Porém mais do que isso, Nolan mostra a maior habilidade que um diretor e roteirista de cinema pode ter: saber contar uma história..


NOTA: 8,5

PS: link para a lista de melhores diretores da atualidade: http://setufam.blogspot.com/2010/03/os-10-maiores-diretores-da-atualidade.html