Por Diego Bauer

A Bruxa de Blair (1999) fez realmente muito barulho, mas não apenas pelos números obtidos, mas pela forma escolhida para se contar essa história. Utilizando sempre a sugestão, o medo pelo desconhecido, e pelo que não sabemos exatamente o que é, e o filme é extremamente eficaz ao criar um denso clima de suspense, deixando de lado os sustos e os truques baixos dos filmes de terror convencionais, apostando na criatividade como principal arma para chegar ao telespectador.
Depois de algumas continuações muito mal sucedidas, e um bom tempo sem nenhum filme de terror empolgante, que lembrasse o estouro que foi A Bruxa de Blair, em 2007 novamente vimos algo semelhante. Um filme de baixo orçamento, apostando na proposta do documentira, e apenas na sugestão das situações de horror, obteve grande sucesso, e fez com que muita gente dormisse de luzes acesas.

Hoje sabemos que isso infelizmente não aconteceu.

Sendo roteirizado e produzido por Peli, e com a direção do estreante Bradley Parker, o filme conta a história de um grupo de amigos que está fazendo uma viagem pela Europa, e acabam descobrindo algo chamado de turismo radical, e que nesse tour está incluída uma viagem a Chernobyl, cidade isolada devido ao acidente nuclear acontecido nos anos 80. Lá eles conhecem a cidade, visitam prédios abandonados, casas, praças, etc.. Ao voltarem ao carro, eles descobrem que ele foi destruído, e que terão que passar a noite no lugar. Mas logo eles percebem que não estão sozinhos na cidade, e terão que lutar pra sobreviver e escapar desse lugar habitado por pessoas afetadas pela radiação.

Os problemas são apresentados logo de cara. A câmera na mão incomoda as vezes, os planos são mal feitos, e alguns cortes são desnecessários, dando planos demais a cenas que não mereciam tanto. A cena em que eles saem da festa e encontram quatro rapazes que querem confusão é completamente desnecessária, sem nenhuma razão de existir.
E se parecia que a história iria engrenar após eles chegarem à cidade (e nesse ponto tenho que destacar as excelentes locações utilizadas), somos tirados do filme ao ver aquele urso feito em holografia, ou alguma tecnologia com poucos recursos, que é tão mal feito que fica muito difícil acreditar naquilo.

O que, de longe, mais me incomodou foi a cretina trilha sonora. É impressionante como, nesse filme, a trilha é usada como uma muleta pra causar susto e apreensão na plateia, e mesmo assim é mal sucedida.
Por que que entrou aquela exagerada trilha de suspense no momento em que o guarda conferia quem estava no carro? Aliás, por que a trilha estava presente em várias cenas da primeira metade, sendo que não havia nenhuma necessidade pra isso? E pra se ter noção de como ela tenta ser manipuladora, (mas acaba mais parecendo como feita por um cara que acabou de fazer um curso de duas horas sobre como criar uma atmosfera de tensão em filmes de terror), depois da morte de um dos personagens, é colocada uma trilha dramática forçando a barra para criar uma relação com a plateia. Dá pra acreditar?

E, infelizmente, o filme acaba ficando no meio do caminho da proposta do que foi A Bruxa de Blair e Atividade Paranormal. Ao mesmo tempo em que ele tenta, de certa forma, deixar indefinido o que é o inimigo, mostrando-os de maneira rápida, ou desfigurando os seus rostos para não vermos exatamente o que são, ele não é capaz de criar quase nenhuma tensão.

E com um final que é a cereja do bolo, Chernobyl consegue ter o que de pior existe nos filmes de terror.

Nenhum comentário:
Postar um comentário