
Todas conseguiam, aparentemente sem esforço, produzir o difícil equilíbrio entre momentos cômicos e aqueles mais reflexivos, todas faziam bom uso do elenco, e, o melhor de tudo, todas tinham ótimos roteiros, com piadas sutis e inteligentes, sem precisar apelar à grosseria ou ao nonsense rasteiro.
Bom, os anos passaram, a Working Title já não é mais pequena, dedicando-se hoje a produzir séries de TV e filmes pro Oscar, e a comédia romântica mudou de mãos, indo do humor pueril e “masculino” de filmes como O Virgem de 40 Anos e Superbad ao amontoado de clichês sobre namoro e casamento dos filmes ditos “femininos”, estrelados por Sandra Bullock, Kate Hudson e Cameron Diaz.

O que Esperar..., baseado no best-seller de mesmo nome, parece ser uma versão de Simplesmente Amor com pais e mães de primeira viagem no lugar dos casais. Lá está o mesmo esquema das histórias paralelas, o mesmo grande número de personagens, até os mesmos artifícios usados no outro filme para ligar as tramas. O que falta, lamentavelmente, é a mesma inteligência do roteiro.





Além deles, temos ainda o “Clube dos Caras”, um grupo de pais formado por Vic (Chris Rock, dono, de longe, das melhores falas do filme), Gale (Rob Huebel), Craig (Thomas Lennon) e Patel (Amir Talai), que se reúne nos fins de semana para passear com os filhos, longe da marcação cerrada das “patroas”, e aos quais Alex se junta para aprender mais sobre a paternidade.
Ah, e todos assistem ao programa de Jules, do qual Gary já participou.
Com tantos personagens e tramas, é inevitável que algumas sejam melhores do que outras: a de Jules e Evan, por exemplo, passa que você nem percebe; Ramsey e Skyler têm pouco tempo em cena, embora as suas sequências com Gary e Wendy estejam entre as melhores do filme; e o final da história de Marco e Rose é bem sem graça.

Outra marca nefasta de comédias recentes é o recurso a coadjuvantes bobos, flatulências e fluidos corporais diversos. Tá, não chega a ser um Missão Madrinha de Casamento, mas isso também não é nenhum mérito, certo?
Com o roteiro medíocre, resta elogiar o bom elenco, com destaque absoluto para Anna Kendrick, que confirma, mais uma vez, ser uma das melhores atrizes de sua geração, e a montagem, que une as diversas histórias com agilidade e fluência. Muito pouco para uma produção com esse mote, com esses atores, e com aqueles filmes como inspiração.
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