
Faço parte de um grupo de amigos (que hoje se tornou uma empresa, a Artrupe Produções) que possui grande respeito e admiração pela arte cinematográfica. É claro que quando nos conhecemos tínhamos uma visão completamente diferente sobre cinema comparada com a que temos agora, mas desde sempre a sétima arte se mostrava como algo maravilhoso de assistir, e pensávamos em como seria legal ser um grande diretor, ator, com muito dinheiro, Oscars e amigos famosos.
Com o passar do tempo, acabamos nos tornando mais seletivos, conseguimos ter uma visão mais clara sobre a abissal diferença entre um clássico e os filmes bobinhos que enchem as salas de cinema, e buscamos nos especializar cada vez mais, participando de cursos sobre linguagem cinematográfica, além de ir atrás de métodos de interpretação.
Depois disso, fazer filmes não parecia mais ser uma ideia muito distante, e decidimos meter a cara e começar a produzir um.
Em 2011, após assistir, em um curto intervalo de tempo, Cães de Aluguel e Pulp Fiction, escrevi um roteiro com características de submundo, periferia, crimes, e sujeira de modo geral. Foi então que Fátima surgiu em nossas vidas.
Com todos os exageros e maneirismos pueris, típicos de um roteirista iniciante, Fátima se apresentava como um filme sobre filmes, que queria ser divertido, mas sofisticado, com movimentos de câmeras e planos-sequência que foram pensados por, mais do que qualquer outra coisa, serem interessantes de se ver.
Afetações a parte, acredito que Fátima era um trabalho interessante e de boas qualidades, principalmente em relação ao elenco, que contou com ótimas atuações dos sempre talentosos Efrain Mourão, Antônio Carlos Jr. e Elis Marinheiro. Porém, infelizmente não é disso que lembramos assim que o filme acaba. O que fica mais forte na memória são os graves problemas de áudio, que comprometem a compreensão de algumas ideias fundamentais para a compreensão do filme, além dos problemas de iluminação ocasionados pelos equipamentos inadequados, além da nossa falta de perícia em operá-los.

É claro que ficamos frustrados, mas com o tempo, percebemos que Fátima acabou se tornando a nossa maior escola, talvez o momento em que mais aprendemos sobre como é realmente fazer um filme, e descobrimos o quanto fantasiávamos sobre o assunto, e que estávamos errados sobre uma série de verdades que alimentávamos.

Dessa vez, não queríamos fazer um filme por fazer. Na época de Fátima, o mais importante de tudo era praticar, mas aqui não mais: queríamos dar sequência, caminhar nesse aprendizado. Portanto, decidimos que A Segunda Balada seria um filme possível de ser realizado. Não faríamos loucuras, nem criaríamos cenas que não teríamos condições de fazer.
Graças a isso, acredito que fizemos um filme simples, é verdade, mas muito bem trabalhado, com uma atenção especial aos detalhes, realizando um longo período de preparação com os atores e priorizando a parte técnica, lição que aprendemos com o filme anterior.



E mesmo que o nosso filme não passe em grandes festivais, ainda assim o saldo seria imensamente positivo, pois o nosso processo de crescimento só está começando, e esse é apenas o segundo, de muitos que virão por aí.
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