
Baseado numa famosa peça de teatro, o filme é formado por um elenco de estrelas, com nomes do peso de Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster e John C. Riley, e através de uma história que nos faz lembrar o clássico Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966), o longa faz um estudo sobre os jogos de aparência existentes na sociedade norte-americana, e como elas podem ser enganosas, e facilmente desmascaradas quando colocadas à prova em situações desagradáveis.
Mas esse texto não é pra falar sobre o filme, mas sim sobre o seu diretor, que está novamente em evidência devido a recorrente consistência dos seus trabalhos.

Logo no seu primeiro filme, A Faca na Água (1962), Polanski já mostrou as características que marcaram a sua carreira: tramas instigantes, sombrias, desenvolvendo com maestria os conflitos psicológicos dos seus complexos personagens, com uma direção segura, que sabe o que quer, e que domina completamente todos os elementos que compõem o filme.
A Faca na Água foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1964, perdendo para 8 ½ de Federico Fellini.

E esse respeito aumentou ainda mais com a realização do clássico Chinatown (1974).

Chinatown teve onze indicações ao Oscar de 1975, e a primeira nomeação de Polanski a categoria de melhor diretor.
O cineasta foi novamente lembrado pelo Oscar anos depois, com Tess – Uma Lição de Vida (1979). O longa foi indicado a seis Oscars, e novamente Polanski foi indicado ao prêmio de melhor diretor.
Mas a vida do cineasta não se resume apenas a grandes filmes e premiações. Em 1969, a atriz Sharon Tate, esposa de Polanski, e mais quatro amigos do casal foram brutalmente assassinados por membros da Família Manson. O crime aconteceu na própria casa onde Polanski e Tate moravam.
Tate estava grávida de oito meses. No dia do crime, Polanski estava na Europa produzindo um filme.
Anos depois, em 1977, Polanski é acusado de estuprar uma garota de 13 anos. O crime teria acontecido na residência de Jack Nicholson em Hollywood. De acordo com a vítima, Samantha Geimer, o estupro aconteceu durante uma sessão de fotos para a revista Vogue.
Polanski confessou o crime, embora alegou que a relação sexual foi consensual.
O diretor foi condenado a prisão em 1978, mas fugiu para a França antes do julgamento, e desde então nunca mais voltou para os Estados Unidos.

Mas mesmo depois de tantos clássicos, tantos filmes memoráveis, com a carreira completamente estabilizada, já sendo considerado um dos grandes nomes da história do cinema, e não precisando mais provar nada para ninguém, Polanski ainda estava para realizar o seu melhor filme.

Filho de poloneses, o diretor viu sua mãe ser morta em Auschwitz, e durante toda a Segunda Guerra Mundial teve sempre de estar fugindo dos oficiais alemães. Portanto, ele era a pessoa ideal para contar a história de Szpilman, que de certa forma lembra a do próprio Polanski.
Contado de forma crua, de difícil digestão, mas ao mesmo tempo com um valor artístico inquestionável, O Pianista é um filme belíssimo, impactante, que não faz concessões aos espectadores. Além, é claro, de contar com uma direção não menos que espetacular, e com um trabalho fantástico de Adrien Brody.

Além disso, o filme ganhou a Palma de Ouro, além dos prêmios de melhor filme do César e do Bafta, e melhor direção nos dois últimos.

Com mais de quarenta anos de carreira, e com a lucidez de um cineasta em plena forma, Roman Polanski ainda se mostra capaz de realizar grandes filmes, e demonstra ter um fôlego que daria inveja pra muito estreante.
Polanski eh o cara!!
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