De um lado, o lutador, que é considerado por muitos como o melhor de todos os tempos do MMA.
Do outro, um adversário extremamente provocativo, ofensivo, que não faz a menor questão de parecer simpático a quem quer que seja.
Se isso não bastasse, semanas antes da luta, ambos trocam frases nada amigáveis, o que cria um clima hostil quase nunca visto antes de uma defesa de cinturão.
Quando a luta começa, o campeão perde de maneira arrasadora os quatro primeiros rounds, fato que nunca nem chegou perto de acontecer em toda a sua carreira.No quinto e último round, ele novamente começa perdendo, mas faltando pouco tempo para o fim, ele tira
da cartola uma impensável finalização, e vence uma luta que estava perdida.
Essa luta histórica é o tema central do documentário Como Água, sobre o lutador brasileiro Anderson Silva. A história tem início com a luta entre o Spider, como ele é conhecido no esporte, contra o também brasileiro Demian Maia. Anderson vence a luta, mas é bastante criticado pelos fãs, e pelo presidente do UFC, Dana White, por apresentar menosprezo ao adversário.Então surge no caminho do brasileiro o lutador norte-americano Chael Sonnen, que faz questão de criticar e provocar Anderson publicamente, criando um clima de grande expectativa para a luta, que poderia representar a saída do brasileiro do UFC em caso de derrota.
A história por si só já reúne elementos bem característicos que comumente vemos em filmes ficcionais sobre esportes. Até mesmo com relação aos seus personagens principais: o herói é visto como injustiçado, que tem que vencer um adversário que conta com um apoio muito maior do que o dele; e o vilão é visto como um mau caráter inescrupuloso.Aqui Anderson não é colocado como santo, como é visto numa cena em que ele mostra impaciência com perguntas feitas antes da luta.Mas no caso de Sonnen fica difícil não encaixá-lo como um vilão bem tradicional, pois fica claro que o norte-americano é um imbecil, chegando até a duvidarmos de sua sanidade mental, como é citado pelo empresário de Anderson.
Mas o clímax do filme, que tinha tudo pra ser emocionante, acaba se tornando bem morno. O documentário não consegue passar nem 10% da adrenalina que aquele combate representou para quem estava assistindo ao vivo.E não digo isso como um fã do esporte, que realmente sou, mas como alguém que vendo um filme, não consegui achar aquela luta tão memorável assim.
Além disso, o filme tem um som ruim, e em alguns momentos mal conseguirmos ouvir o que os personagens estão dizendo, pois fica claro que em diversas cenas o áudio não foi captado corretamente e fica competindo com elementos externos que dificultam o entendimento do que está sendo dito.
E se não fosse o bastante, certos enquadramentos são extremamente mal feitos, e outros querem justificar o mau uso da câmera como se fosse uma opção de estilo, que nada contribuem para o filme.
Apesar das falhas existentes, o filme se mostra como uma válida opção para os fãs que se interessam em conhecer mais sobre o árduo treinamento de um campeão como Anderson, ou ainda saber como é a vida do lutador na intimidade.Ao mesmo tempo, é uma oportunidade para àqueles que não conhecem o esporte, ou que não gostam dele por o considerarem violento, o conhecerem de perto e, quem sabe, até mudarem seus conceitos.
É uma pena que no final da sessão bata uma sensação de que o filme poderia e deveria ser bem melhor.Não ofende, nem rouba ninguém, mas faltou bastante coisa pra que ele conseguisse ficar na memória, como o próprio Anderson faz quando o vemos lutar.
NOTA: 5,0


Nenhum comentário:
Postar um comentário