
O personagem principal, Alex De Large (Malcolm McDowell), é um rapaz que estuda e tem família, entretanto, é um criminoso; ele sente prazer em praticar a “ultraviolência” com seu bando, os “Droogs”.

As sequências no filme chocam porque não é comum ver esse tipo de crueldade mostrado com humor negro em muitos momentos, e principalmente, com música clássica ao fundo.
E ainda: imagine como é ouvir Alex cantar e dançar “Singing in the Rain” enquanto comete barbaridades? Realmente marcante porque até aqui a música nos lembrava de um lindo musical de Hollywood.
É, mas a trilha sonora de Laranja Mecânica é um espetáculo à parte: além da música clássica e do sucesso hollywoodiano, há o toque futurista de Walter Carlos, que criou a memorável e forte música do filme, que talvez você não lembre exatamente como é, mas quando ouvir saberá de onde vem.

Os primeiros 45 minutos do filme são para mostrar as crueldades atentadas por Alex e os Droogs.
Algumas histórias de ultraviolência são contadas e naquele momento parecem que se encerram por ali, sendo soltas da história, mas depois o expectador percebe que não é bem assim.

Alex é levado para o Centro Médico. O tratamento consistia na visualização de imagens que mostravam a violência de todas as formas, passadas em um grande telão em cores e sons.
O paciente era obrigado a olhar as cenas, pois seus olhos estavam impedidos de se fecharem. Alex começa a passar mal ao assistir às tais cenas, e pedia que o deixassem vomitar.

O “tratamento” de Alex o deixa indefeso; assim ele se vê sozinho e sem saber para onde seguir. Seus amigos por ironia tornaram-se policiais e se voltam contra ele.
Alex não consegue mais praticar a violência, mas o mundo sim. Aqui entra o que considero mais interessante no filme: a crítica à sociedade doente e hipócrita em que vivemos.

Mas se o filme era forte e queria mostrar uma violência absurda que só aconteceria num mundo surreal, ele errou.

Mas o chocante e contemporâneo do filme está no fato de os crimes serem cometidos por jovens bobos e sem motivo nenhum pra isso, que se divertem cometendo atos de crueldade.
Kubrick já tinha vários filmes consagrados na carreira quando escreveu e filmou Laranja mecânica: entre eles Spartacus, Dr. Fantásticoe 2001. Depois ainda fez alguns filmes importantes como Nascido Para Matar, O iluminado e De Olhos Bem Fechados.

Um garoto que conseguiu despertar no público o ódio e a pena, em seguida. Mas foi injustiçado ao não ser lembrado o Oscar, recebendo apenas indicação no Globo de Ouro, pela sua atuação no filme. Depois de Laranja Mecânica, Malcolm não fez nenhum filme tão marcante quanto, mas não parou de atuar nunca, e já tem mais de 200 filmes na carreira.
Laranja mecânica sempre será atual e nos faz refletir como nossos direitos são esquecidos quando não vão ao encontro dos interesses dos grandes poderes.
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