O início é inspirador: com uma marca roxa no rosto escondida pelo cabelo, Mallory chega a uma lanchonete em um pequeno vilarejo dos EUA. Em seguida, ao avistar um homem que acaba de estacionar seu carro, ela solta um “Oh Shit”, prevendo um grave problema nos próximos instantes.
Após um diálogo tenso e irônico, o rapaz parte para cima dela com um golpe violentíssimo. Pronto! A coitada vai apanhar para burro, certo?
Eis, então, a grande surpresa: Mallory reage e mostra uma movimentação incrível, sendo tão violenta quanto seu oponente. Até o fim da sequência, somos espectadores de um festival de socos e pontapés que não procuram poupar o espectador de qualquer pancada mais forte.
Neste misto de Tarantino e elementos da blaxploitation dos anos 70, “À Toda Prova” dá a impressão de que será um filme diferente da maioria das obras de ação do cinema atual ao conseguir criar bons diálogos e ter uma violência incomum.
Porém, o novo trabalho de Steven Soderbergh não se sustenta por muito tempo, sendo apenas um mero exercício de estilo vazio e com uma história confusa e mal resolvida.


Apesar de se esforçar com um papel de um empresário levemente inseguro, Ewan McGregor não possui tanto talento para compor um papel enigmático e decisivo na trama. Já Michael Fassbander (o Magneto de “X-Men: Primeira Classe”) só pode emprestar elegância e charme, pois, o roteiro não é tão generoso com ele.

Carano pode até não ser das mais carismáticas e expressivas, porém, para uma personagem enigmática até que funciona bem. Interessante também é como ela consegue trabalhar a suavidade que apresenta, pois, ao observá-la em primeiro momento, você não a considera uma pessoa violenta, muito menos capaz de lutar como faz durante o longa, o que surpreende positivamente.

Usando elementos que deram certo em “Onze Homens e Um Segredo”, o cineasta coloca os personagens em diálogos enigmáticos, dando a entender que tudo aquilo culminará em algo inteligente e surpreendente, já que boa parte das ações ficam sem grandes explicações.
Porém, ao chegarmos na conclusão, além de ser o óbvio, você fica com a impressão que não era preciso tantas voltas e tudo não passou de mise-en-scène gratuita.
Para piorar, Soderbergh ainda tenta dar um tom autoral à obra, brincando com a fotografia e os filtros mais amarelados e azulados em determinados momentos (algo que já havia feito em “Traffic” com muito mais sucesso), uma trilha sonora mais swingada e uma edição mais vagarosa do que a maior parte das fitas do gênero. O problema é que tudo isso soa vazio, pois, infelizmente, a história não empolga.

O fato não chega a ser novidade, porém é lastimável ver um sujeito como Steven Soderbergh, antes uma cabeça pensante do cinema americano, se entregar a fórmula de maneira tão burocrática.
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