O Set Ufam segue rumo à grande festa do cinema recordando que o Oscar, muitas vezes, leva outras considerações na hora da premiação, além da qualidade técnica dos filmes.

Dessa forma, a premiação ganha uma forte conotação política.
Pensando nisso, o Cine SET separou alguns prêmios que seguiram fortemente as tendências do momento, indicando ou reparando caminhos.
De vez em quando, a Academia concede prêmios para compensar outros anos. Martin Scorsese e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei exemplificam isso.


Participante do Oscar de 2004, ele é, ao lado de Titanic, recordista em número de estatuetas. As suas doze premiações, incluindo as de melhor filme e melhor diretor, compensaram os dois anos anteriores.
Acerto com o tempo
A Academia também faz reparações históricas de vez em quando. Halle Berry e Kathryn Bigelow que o digam.

Depois disso, a atriz fez bombas como A Mulher Gato. Agora, ensaia um retorno à boa forma depois de A Viagem.

Neste ano, a diretora concorre ao prêmio de melhor filme com A Hora Mais Escura, Suas chances são poucas. Isso não exclui o feito de ela ter sido, mais uma vez, a única mulher na disputa do prêmio.
Processo de Autoafirmação
Um outro movimento do Oscar, igualmente político, é o de materializar sentimentos coletivos.
O cinema vinha passando por uma crise sem precedentes na década passada. Os downloads ilegais, as séries e os videogames ameaçavam as bilheterias dos cinemas. Para mantê-las em forma, a indústria investiu pesado nas continuações de blockbusters. A difusão do 3D também ajudou no faturamento, graças ao preço maior dos ingressos das suas sessões.
Essas estratégias não seriam um problema se não tivesse tido o uso abusivo de fórmulas narrativas e se o recurso 3D fosse aproveitado para além dos fins cosméticos. Além do mais, filmes mais ousados e/ou com mais refinamento iam perdendo espaço. Diante deste panorama, muitos temiam o fim de Hollywood nos anos 2000. Previsivelmente, muitos fãs da indústria não queriam isso de jeito nenhum.
O Oscar materializou esse medo, ano passado, com uma grande homenagem aos primórdios do cinema. Na cerimônia, Hollywood se autoafirmou ao mostrar a sua bela e rica história.
A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, tinha como tema e personagem o pioneiro francês do cinema George Méliès. Não podemos nos esquecer de que Scorsese é um grande apaixonado pela sétima arte, o que só reforça o seu simbolismo.
O grande vencedor da noite, O Artista, ressuscitava o cinema-mudo com romantismo e leveza. Seus méritos artísticos, por si sós, o credenciavam para ser o franco-favorito da noite. Para sua felicidade, ele conveio de ser a estrela de uma cerimônia que ansiava por premiar um filme como ele.
É discurso batido falar das injustiças do Oscar, que gênios não ganharam nenhuma estatueta, blá, blá, blá. Também chega a ser clichê dizer que a academia dá ratadas como O Paciente Inglês - alguém lembra dele?
Curiosamente, muitas dessas pessoas que criticam o Oscar se esquecem de ver quantas justiças o prêmio já fez. Estas não necessariamente implicam em injustiças, mesmo quando a Academia premiou filmes por questões políticas, outra idiossincrasia dela igualmente criticada como as citadas acima.
P.s.: gosto de comparar o Oscar ao Nobel de Literatura. O prêmio máximo das letras distribui prêmios por questões políticas, como o engajamento do seu agraciado com as questões artísticas e sociais do seu país.
Os suecos convivem com críticas por não terem premiado Joyce, Kafka, Borges e Proust, mesmo tendo agraciado Beckett, Camus, Russell e Coetzee. Vai entender....
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