Por Jéssica Santos
Grindhouse é um termo empregado nos Estados Unidos para nomear salas de cinemas de medianas condições, onde, nos anos 60 e 70, eram exibidas produções de baixo orçamento (filmes B) notáveis por cenas de violência e sexo, mas com poucos recursos e efeitos especiais, brechas decorridas dos restritos orçamentos dos seus autores. Na maioria das vezes, sessões duplas ou triplas eram apresentadas, sendo que o espectador pagava o valor de um ingresso, apenas.
Quentin Tarantino (diretor de Pulp Fiction e Kill Bill), fã declarado desse tipo de cinema, era assíduo freqüentador de grindhouses. Surgiu, então, a ideia de realizar um trabalho em parceria com seu amigo, Robert Rodriguez (diretor de Um Drink no Inferno e Sin City). Produziram, assim, dois filmes (À Prova de Morte e Planeta Terror), batizados em conjunto, de Grindhouse. Foi exibido nos Estados Unidos em sessão dupla, separados por trailers fictícios. Tarantino dirigiu o primeiro e Rodriguez o segundo. Porém, os filmes foram divididos e reeditados para o lançamento no resto do mundo, quebrando o impacto inicial do projeto. O motivo da desunião dos dois filmes que constituíam o pacote original? O fracasso de bilheteira da longa “double-feature”.
Quentin Tarantino (diretor de Pulp Fiction e Kill Bill), fã declarado desse tipo de cinema, era assíduo freqüentador de grindhouses. Surgiu, então, a ideia de realizar um trabalho em parceria com seu amigo, Robert Rodriguez (diretor de Um Drink no Inferno e Sin City). Produziram, assim, dois filmes (À Prova de Morte e Planeta Terror), batizados em conjunto, de Grindhouse. Foi exibido nos Estados Unidos em sessão dupla, separados por trailers fictícios. Tarantino dirigiu o primeiro e Rodriguez o segundo. Porém, os filmes foram divididos e reeditados para o lançamento no resto do mundo, quebrando o impacto inicial do projeto. O motivo da desunião dos dois filmes que constituíam o pacote original? O fracasso de bilheteira da longa “double-feature”.
Planeta Terror
Os trabalhos de Rodriguez extrapolam quando o assunto é violência, sangue e cenas bizarras. Exemplos disso são seus filmes O Mariachi, produzido em 1993 com apenas sete mil dólares; e também Um Drink No Inferno, com milhares de vampiros atacando a todos. Essas também são características de Planeta Terror. Numa cidade interiorana do Texas, parte da população é infectada por um gás tóxico utilizado pelo exército dos Estados Unidos no Oriente Médio. O acidente faz com que seus corpos sejam cobertos por feridas pustulentas. Zumbis passam a carregar um olhar vago e a se alimentar de carne humana.
Cherry Darling (Rose McGowan, de Pânico) uma desiludida go-go-girl, tem parte de sua perna arrancada por um desses seres. Com a ajuda do ex-namorado El Wray (Freddy Rodriguez, da série televisiva A Sete Palmos), que lhe adapta uma poderosa metralhadora como prótese, Cherry liderará um grupo de sobreviventes contra a horda de lacerados.
Sobre esse fato, a atriz teria se perguntado ao ler o roteiro do filme: “como é que alguém pode imaginar em criar um personagem com uma metralhadora no lugar da perna?”. Aceitou logo o papel. Aliás, no filme não se explica como ela puxa o gatilho, mas erros nesse filme são possivelmente propositais.
O filme não tem um roteiro forte. É, na verdade, uma desculpa para que uma enxurrada de personagens estranhos apareça na tela. Como a Dra. Dakota Block (Marley Shelton, de Sin City), uma anestesista que traz em sua cinta-liga uma coleção de agulhas, utilizadas como arma. Ou JT (Jeff Fahey, de Silverado), o dono de uma espelunca que mesmo em meio à selvageria se preocupa o tempo todo em aperfeiçoar a receita de molho para seu churrasco, que ele chama de “o melhor do Texas”. Ou mesmo o Estuprador (Quentin Tarantino, em participação especial), que vai literalmente se decompondo quando tenta violentar a anestesista.
O longa tem ainda a participação de Fergie, da banda Black Eyed Peas. Sua participação é rápida e sangrenta: quando seu carro quebra na estrada errada, é estraçalhada pelos zumbis. Não fique chocado antes de ver o filme. Planeta Terror é exagerado e bizarro mesmo, e até engraçado, afinal, trata-se de um filme trash. Vale a pena ver. Depois de algumas cenas grotescas, você se acostuma! Digo que vale a pena ver por várias razões: a trilha sonora é ótima; os personagens são muito exóticos e bem idealizados, principalmente Cherry Darling, que é muito sexy, com uma metralhadora no lugar da perna! Outro lado positivo são justamente as cenas bizarras, em que você se pergunta: como isso pode estar acontecendo?
O longa tem ainda a participação de Fergie, da banda Black Eyed Peas. Sua participação é rápida e sangrenta: quando seu carro quebra na estrada errada, é estraçalhada pelos zumbis. Não fique chocado antes de ver o filme. Planeta Terror é exagerado e bizarro mesmo, e até engraçado, afinal, trata-se de um filme trash. Vale a pena ver. Depois de algumas cenas grotescas, você se acostuma! Digo que vale a pena ver por várias razões: a trilha sonora é ótima; os personagens são muito exóticos e bem idealizados, principalmente Cherry Darling, que é muito sexy, com uma metralhadora no lugar da perna! Outro lado positivo são justamente as cenas bizarras, em que você se pergunta: como isso pode estar acontecendo?
Nota: 8.0
À Prova de Morte
Já Quentin Tarantino... O que dizer sobre ele? Genial. Consegue realizar seus filmes exatamente como idealizou na sua mente, porque tem carta branca para isso. Foi assim que convenceu seu estúdio a bancar "À Prova de Morte" - promoção do gênero "exploitation", um dos mais desprestigiados do cinema.

Tarantino reflete a estética, os temas e até mesmo os defeitos desses filmes. O longa-metragem tem a cor lavada dos filmes B dos anos 1970, erros de continuidade, riscos na imagem, diálogos ridículos e muito sangue. Ambos são mesmo reverência ao estilo grindhouse do cinema.
Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin, sai noite adentro pra se divertir com suas duas melhores amigas, chamando a atenção de todos os homens dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Cobrindo de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), um rebelde ansioso e temperamental que se oculta atrás do volante do seu carro indestrutível.
A trilha sonora de “À prova de morte” é um espetáculo à parte! E nem tinha como ser diferente! Afinal, Quentin tem um gosto muito bom para músicas, e nesse filme em especial, até emprestou seu jukebox para a cena no bar. Alguns exemplos de músicas imperdíveis: a divertida “Hold tight”, que elas curtem no carro; a sexy “Down in Mexico”, na cena da lap dance; e a irônica “Chick habit” para encerrar o filme são muito boas!
Se por um lado, o filme não é perfeito porque há diálogos mais longos do que deveriam ser. Por outro lado, nossas conversas na vida real também são banais e não são cronometradas! Tarantino quis apresentar as personagens através desses diálogos; elas falam de acontecimentos banais, de “coisas de garotas”. Também as confabulações são uma homenagem aos anos 70, ao cinema e aos seus amigos (algumas personagens partilham, além do apelido, conversas típicas das suas mais comuns amizades). E quem aguentar seus monótonos bate-papos, verá em seguida perseguições e cenas memoráveis!

Sem grande esforço, Tarantino conseguiu capturar com êxito o espírito das obras que venera, mesmo considerando que “À Prova de Morte” não chega perto da complexidade estrutural primorosa de “Pulp Fiction”, “Reservoir Dogs” ou “Kill Bill”.
A simplicidade de ambos os filmes é enganosa. Eles retratam com ousadia um tipo de cinema excluído hoje; fazem o retrato de mulheres poderosas, de cidades e pessoas texanas. Para Tarantino, estimulante é quebrar barreiras ainda que o saldo final seja um risco enorme.
Quem gosta do gênero amará o filme e verá cem vezes, quem não gosta, bem, assista também, porque, ao contrário da maioria dos filmes, ele não é previsível.
Nota: 8.5
O interessante é que apesar de bem diferentes, os dois filmes tem o mesmo estilo, e ainda compartilham alguns personagens! A Dra. Dakota Block e o Sheriff Raique são personagens que aparecem em ambos os filmes. Além de outros atores que também participam dos dois, em papéis distintos. As histórias se passam em cidades próximas e quase simultaneamente. Grindhouse foi um exercício fascinante de reinvenção de gênero, uma vitrine para duas abordagens radicalmente distintas de ser fazer uma homenagem.
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